sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

DUETOS IMPROVÁVEIS #37
BRIGHT EYES & M WARD

Smoke Without Fire (Bright Eyes)
Live, The Hollywood Bowl

Los Angeles, 29 Setembro 2007

JOHN VANDERSLICE EM FAMALICÃO
Apresenta-se como o primeiro evento de um ciclo denominado “Afinidades”, uma ideia de Álvaro Costa, organizado pela Casa das Artes de VNFamalicão. Assim, um chamado curador (jornalista, comunicador, etc.) é convidado a programar o seu evento, estando previstas três sessões ao longo de 2008. A primeira realiza-se já amanhã, sábado e é da reponsabilidade de Nuno Galopim (DN/Radar/blog Sound&Vision) que apresentará ao vivo John Vanderslice e respectiva banda. São estes os argumentos:

Há quem o conheça por ser dono de um estúdio de gravação pelo qual passaram já por nomes como os Death Cab For Cutie, Okkervil River ou Spoon e até mesmo pelo trabalho de produção que assinou em ‘Gimmie Fiction’, destes últimos. Mas é a obra na primeira pessoa de John Vanderslice que hoje lhe garante o merecido reconhecimento. Depois de editados cinco álbuns nos quais explorou as potencialidades das cenografia lo-fi, sem abandonar nunca os domínios da canção de autor, mostra-se há poucos meses, ao editar um sexto disco, inesperadamente despojado. Em apenas 38 minutos ‘Emmerald City’ confirmou em Vanderslice um magnífico contador de histórias. No anterior ‘Pixel Revolt’ havia construído um espaço de reflexão sobre as feridas deixadas pelo 11 de Setembro e, naturalmente, as consequências que os factos desse dia tiveram na vida da América (e do mundo em geral) desde então. Em ‘Emmerald City’ mostrou antes uma escrita mais pessoal, quase autobiográfico. Aí nos mostrou rara capacidade para, numa canção, sugerir as histórias, lançar as ideias, e sair delas antes de as tornar óbvias. Vê-lo, ao vivo, era finalmente inevitável

No site do artista podem ouvir e descarregar diversos temas e álbuns da já longa discografia. Ao longo da semana fizemos deles a nossa banda sonora nocturna e, pela qualidade demonstrada, parece mesmo inevitável vê-lo ao vivo...

THE WHIP
Marquem na agenda:12 de Abril, Sábado. Mais uma noite Clubbing na Casa da Música com os The Kills como cabeças de cartaz, mas também com uma banda emergente a ter em conta no cardápio. Chamam-se The Whip, vem de Manchester e tem o disco de estreia “X Marks Destination” prontinho a sair. Já fizeram remixes para Asobi Seksu ou Black Ghosts e o novo e potente single “Trash” já roda
por aí. Move your...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008


ESPELHO MEU...
A história do rock português em 38 retratos é o que propõe a dupla de artistas Sardine & Tobleroni, residente em Londres, numa mostra/tributo que inaugura no Sábado, dia 1 de Março no Santiago Alquimista, em Lisboa. Sardine é o nome artístico do músico português Victor Silveira, ex-Tédio Boys, Tobleroni é o artista suíço Jay Rechsteiner e ambos trabalham juntos em Londres através do projecto The Monkey In The Box. Nesta primeira exposição conjunta em Portugal, Sardine & Tobleroni revisitam a história do rock português através de retratos de 38 bandas, artistas e pessoas ligadas à música portuguesa desde finais dos anos 1950. Intitulada "Espelho meu", nela poderão ser vistas pinturas de António Variações, Xutos & Pontapés, GNR (acima), Pop dell Arte, Rádio Macau, Rui Veloso ou Mão Marta, mas também de Quinteto 1111, Sheiks, Conjunto Mistério, Filipe Mendrix, Joaquim Costa e Aqui del Rock. O mestre radialista António Sérgio e o fotógrafo Cameraman Metálico estão também entre os eleitos. Sardine & Tobleroni utilizaram acrílico, colagem, técnicas mistas em tela, baseando-se sobretudo em fotografias, para fazer os retratos, todos pintados em simultâneo por ambos. A exposição estará patente no Santiago Alquimista apenas na noite de 01 de Março, estando prevista uma itinerância pelo país ao longo de 2008 que terminará no Verão de 2009, para coincidir com os 15 anos do Festival Super Bock Super Rock. Cá esperamos por uma oportunidade na Invicta.

(RE)LIDO #8
AS LENDAS DO QUARTETO 1111

de António Pires, Lisboa, Ulisseia, 2007
Duas noites bastaram para acabar este fantástico relato! Em jeito de história, melhor, ao jeito de um autor e jornalista tarimbado que recentemente regressou à escrita em papel na TimeOut Lisboa, quase não conseguimos parar a leitura que só o sono tardio venceu... Desde sempre ouvimos lendas, boatos e peripécias sobre o Quarteto 1111. O que este livro consegue é, na primeira pessoa, acabar com todas essas dúvidas. Pela recolha de testemunhos directos, principalmente de José Cid e Tó Zé Brito, ficamos esclarecidos sobre o trajecto muito português de uma banda de referência, mas ainda pouco ouvida ou entendida. Incríveis os anos pré-25 de Abril, as fintas à Censura, as condições de gravação e promoção, em descrição pormenorizada, que nos esclarecem sobre o que era cantar em português num país cinzento. Mas o livro também nos faz sorrir, com peripécias humorísticas protogonizadas essencialmente por José Cid, como aquela de tempos de tropa em Santarém em que ele, para não se cansar, comandava o pelotão militar conduzindo o seu carocha! Relatos de concertos, de festivais (entre eles um desconhecido no Estoril que não chegou acontecer por intervenção armada da polícia...), de viagens e digressões asiáticas, onde a mítica máxima sexo,drogas & rock roll era efectivamente realidade. Realça-se ainda a amizade, a perserverança e espírito de sacrifício dos diversos músicos que foram passando pelo Quarteto 1111 e onde a genialidade de Cid teve particular importância. Curiosas as ligações e emaranhados de figuras da música portuguesa que o livro acaba por revelar, de Amália a Ary dos Santos, das Doce aos Gemini, de Adriano Correia de Oliveira a Jorge Palma, passando pelos Green Windows, Tonicha ou até o Frei Hermano da Câmara. Tal como aconteceu com o documentário recente sobre os Heróis do Mar, esperamos que alguém tenha a coragem (o livro adianta que sim) de recolher imagens e testemunhos para a realização de um documentário videográfico sobre o Quarteto 1111 e tudo à volta, de forma a que, de uma vez por todas, se valorize o seu importante papel e contributo para história da música portuguesa. Agora entendemos melhor porque é que e o José Cid diz que “se o Rui Veloso é o pai do rock português, então eu sou a mãe”...
JOSE CID - QUARTETO 1111 @ MUSIC BOX (lançamento do livro)


PEREGRINAÇÃO ADIADA
Rufus Wainwright a solo em Santiago de Compostela a 1 de Junho! Excelente programa para um Domingo de Primavera. Há que procurar bilhetes, já. Qual quê, esgotaram em dois dias! Era bom demais...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008


BE KIND REWIND
Depois de premieres no Festival de Sundance e em Berlim, o filme “Be Kind Rewind” estreou já em Inglaterra e França, não havendo contudo uma data para Portugal. Trata-se da última loucura de Michel Gondry que conta com interpretações de Mos Def, Mia Farrow e o cromo (somos fãs) Jack Black (o actor mais cool do mundo para a Inrockputibles). A história foi escrita pelo próprio Gondry que se inspirou no anterior filme/documentário "Bloc Party" (2005) feito com David Chapelle, um misto de stand up e música. O guião do filme é surreal: Jerry (Jack Black) ficou com o cérebro magnetizado depois de uma tentativa de sabotagem e, sem querer, estragou todas as fitas VHS de um videoclube de um amigo, interpretado por Mos Def. Decidem então filmar as suas versões de filmes que lá existiam e vendê-los como se fossem os originais. Entre esses temos “Robocop”, “Regresso ao Futuro”, “O Rei Leão”, “Caça-Fantasmas”, etc.. A ideia está já a tomar conta do Youtube com muita a gente a fazer as suas próprias versões de fitas famosas e a colocá-las online! Ao processo chama-se “sweding”... A banda sonora é uma homenagem ao pianista americano Fats Waller, com a utilização de músicas suas e algumas reinterpretações, tendo o filme sido rodado, em parte, no edifício de Nova Iorque em que nasceu.


KINGS OF CONVENIENCE NO PORTO!
O duo actua na Casa da Música a 22 de Julho, mas anunciam-se outros concertos imperdíveis como Beirut a 27 do mesmo mês em local a anunciar (que deverá ser o Festival Músicas do Mundo em Sines), Young Marble Giants também na CDM em Maio, para além de Vitalic em Março. Estes e outros eventos são promovidos pelo telefónica Optimus. Óptimo!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008


IRENE
Ainda da Suécia, mais um projecto daqueles para ouvir em descontracção. Os Irene editaram o ano passado o seu segundo disco "Long Gone Since Last Summer", cuja audição provoca muitas saudades veraneantes... Há aliás uma música chamada “September Skies” que atiça ainda mais as recordações. Pois é, a banda toca amanhã em Vigo, mesmo aqui ao lado, na sequência de uma digressão por Espanha. Mas não era no Porto que havia um ciclo chamado “Focus Nórdico”?


FAROL #48
Em 1970 (!) do génio de Lee Hazlewood saiu um álbum chamado “Cowboy in Sweden”. A história deste disco, aparentemente estranho, é bastante curiosa e é hoje uma verdadeira peça de colecção apesar das reedições (mesmo em cd vale para cima de trinta libras na Amazon inglesa). Pois bem, agora alguém se lembrou de o disponibilizar na rede. Ainda bem. Trinta minutos de nostalgia...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008


LUNARIDADES # 46

. uma voz radiofónica a que nos habituamos ouvir apresentar os Tindersticks, os Go-Betweens ou outros nas saudosas XFM ou Voxx ou à frente do PopOff da RTP2, arrepia um pouco ouvir agora passar Shakiras e quejandos em loop na Comercial. Bem, para quem já foi júri nos inenarráveis Idolos...;


. a notícia já tem algumas semanas mas torna-se importante! O escritor Francisco José Viegas, acabadinho de se demitir da direcção da Casa Fernando Pessoa, irá dirigir a saudosa revista LER, que voltará, em boa hora, todos os meses às bancas. O desafio é enorme, porque a LER foi, sem dúvida, durante anos, a melhor revista portuguesa!

. por falar em revistas, o Courrier Internacional deu um salto qualitativo considerável. A nova revista mensal é graficamente sóbria e apelativa mantendo a qualidade dos artigos e informação. Boa aposta;

. afinal a tal colaboração Bowie / Scarlett parece reduzir-se a uns simples “oh’s” e “ah’s” nos coros de algumas canções. Puro exagero da imprensa, então. Sentimo-nos enganados!

. os Fura Del Baus vão estar no Festival Sudoeste em Agosto, onde todos os dias farão actuações e de certeza, festa! Ah, a Bjork também por lá vai aparecer...

FESTIVAL PARA GENTE SENTADA
Teatro António Lamoso, St. Maria da Feira

Sexta, 22 de Fevereiro


TERRY LEE HALE
Figura irrequieta, Hale trouxe a St. Maria da Feira o seu blues-rock e folk de sabor country que continua persistentemente a cantar e gravar (já lá vão mais de uma dúzia de discos...). O último, “Shotgun Pillowcase”, foi desvendado em versão acústica e foi devidamente promovido pelo cantor – “O disco está à venda no foyer” – numa transacção por ele considerada justa ("Buy it and I get the money"). Nem mais. Ironizou as culpas de Bush ("Global warming? Is not my fault!") e sentou-se, já no final, cansado para um derradeiro tema - “Dead is Dead (?) - pleno de intensidade e reflexo de uma vida “on the road” que a sua música continua a valorizar. Descanço justo.


NINA NASTASIA
Na sua terceira apresentação em dois anos na zona do Grande Porto, Nastasia começou o concerto algo irritada e até com feições de antipatia. A sua música é, em todos os aspectos, íntima e essa característica transparece nas letras sentidas que a voz vai acentuando e marcando. Ouviu dizer que teria um bar no palco, mas só uma única garrafa de whiskey a acompanhou. Beberricou entre canções e mais tarde decidiu partilhar o malte com a plateia onde a garrafa se foi, de certeza, esvaziando. Quebrando algum “gelo”, decidiu telefonar (Iphonar) a uma amiga aniversariante nos EUA e pediu a todos para cantar os parabéns em alto e bom som para o gravador de chamadas... Claro que a resposta foi imediata e de pulmão aberto! O público aproveitou a deixa e pediu temas da sua eleição que a cantora não se fez rogada em satisfazer. A “frieza” estava assim esquecida e o concerto ganhou calor e mais sentido.

Sábado, 23 de Fevereiro


NORBERTO LOBO
Lobo e a sua guitarra valem muito mais que uma orquestra sinfónica. Em meia de hora de magia, tensão e brilhantismo, a música vai preenchendo todos os espaços do teatro, sem dar tréguas à nossa concentração e respiração. Há que manter a atenção às variações, ritmos e rendilhados do seu dedilhar que o silêncio do local embala e absorve. Dedicou temas aos amigos (o memorável “Mudar de Vida” de Paredes) e ao “grande” JP que tocaria a seguir. Ainda cantarolou sobre um dos temas, por sinal o último, de uma actução marcante e que, sempre que possível, se torna actualmente obrigatória e imperdível. O melhor concerto do festival.


JP SIMÕES
Agendado à última hora para substituir o “adoentado” Joe Henri, JP Simões esteve igual a si próprio. Ironizou com a tal doença (ele, Jp, era o menos doente que estava disponível...), brincou com o fabuloso concerto de Norberto Lobo (“se o concerto correr bem, é dedicado todo ao Norberto”) e fez as habituais introduções sarcásticas aos temas que seleccionou tocar. A “acidez” foi, no entanto, menor que noutras ocasiões talvez por lhe terem faltado os cigarros que agora não pode fumar em palco e mais (algum) álcool que o de uma única e simples cerveja disponível! O tempo também não era muito, mas o concerto viveu principalmente do disco “1970” de inspiração bossa-nova – brilhantes as canções “1970 (Retrato)”, “Só mais um samba” ou “O trovador entrevado” e mais o seu cão chamado Deus a ladrar aos camiões... . Desculpou-se do som da guitarra emprestada, mas a deficiência não se notou. Terminou quando ainda estava nas “voltas de aquecimento” mas um substituto deste calibre arrisca-se sempre à titularidade. Na actual música portuguesa, seja quem for o seleccionador, ela é já incontornável.



RICHARD HAWLEY
Depois de uma primeira parte descartável aquando do concerto de Nancy Sinatra na Casa da Música em 2005, Richard Hawley teve na Feira a oportunidade perfeita para mostrar o que vale. Rodeado por uma banda de “amigos”, o concerto foi, como ouvimos alguém desabafar satisfeito no final, um “banho de música”. Interpretes excelentes, empenhados e rodados, som potente e perfeito, deram a Hawley o “prémio” do público. Entercalando temas de todo os seus discos (ver abaixo a original e disputadíssima set list), o concerto permitiu avaliar de forma sólida as suas composições nostálgicas, o brilhantismo dos arranjos e o acerto da sua voz quente ao jeito de Roy Orbison, Cash ou até Elvis. Sobressairam os já clásicos “Coles Corner”, “Hotel room” ou “Just like the rain”, mas temas novos como “Serious” ou a “orbinsoniana “Valentine”, com que iniciou o espectáculo, não lhe ficaram atrás. No encore, “The Ocean”, pelo qual já muitos (todos!) desesperavam, deu azo a forte e merecida ovação. O prometido regresso a Portugal para breve parece ser sinónimo de reconhecimento e dedicação. Será sempre bem vindo!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008


FEIST - NOVO SINGLE
O tema “I Feel It All” é o novo single da canadiana Feist. Mais uma fantástica canção para a qual o amigo Gonzalez e os Spoon/Britt Daniel fizeram já brilhantes remixes! O video, como sempre, é muito bom.
Feist - "I Feel It All"


VASCULHAR #11
SEXBEATLES – Well You Never…
Charly Records, Edições Rossil, Portugal, 1979

Uma banda que junta as palavras Sex e Beatles, ainda por cima decalcando o tipo de letra utilizado pelos originais Sex Pistols e The Beatles,tem que merecer a nossa atenção. Este single de 1979, período auge do punk, tem aquela pinta desafiadora a que foi impossivel resistir nas nossas investidas vinílicas. Verdeiramente supreendente foi, no entanto, a falta de informação que existe na internet sobre esta gravação. Ao fazer uma busca por Sex e Beatles, claro que somos inundados por milhões de entradas, a maioria perfeitamente inconsequentes e perigosas ;-). Entre outras coisas, ficamos a saber que Sex Beatles era a expressão que os promotores da Creation Records queriam que a imprensa utlizasse para descrever os Oasis (bahhhh) ou que existiu (?) uma banda brasileira com o mesmo nome formada em 1990. Contudo, uma entrevista a Hamish McDonald, vocalista da banda, permitiu finalmente tirar todas as dúvidas! Formados em 1978, pela dissolução dos Offbeats, os Sexbeatles são considerados a primeira banda punk de Maiorca, Espanha. Rebuscado! Explicando:
Just as we’d changed the name to the Sexbeatles and added a girl singer someone turned round and said why don’t you record a single for us, cos that’s a good name. We said OK so we recorded for them the first song we ever wrote, which was called Well You Never. The main words are ’well you never should have shown me the way to rock’n’roll’ which was a bit naive really, but three years ago for me it was a great buzz to do it so we did a song about it. The production on it is all right. The B-side’s all right. It’s now unavailable but if you hear it, it’ll make you laugh. It is naive. It’s on Charly Records.
O resto é uma história que merece ser lida, de tempos de caos, polémica (pricipalmente em Espanha com o tema "Al Suelo"), confusão e uma canção de nome “Anarchy in Liverpool”! Quanto ao single, obviamente que vendeu muito bem, não pela qualidade da música, mas pelo nome utilizado. Como reconhece o próprio Hamish “That’s why I’m quite happy being in the Sexbeatles, the band everybody loves to hate because of the name. Yet nobody knows anything about”. Exacto! Ah, o Jordi Ramone era o baterista…

DUETOS IMPROVÁVEIS # 36
TOM JONES & JANIS JOPLIN

Raise Your Hand' Together (Eddie Floyd)
Programa TV “This Is Tom Jones”, 1969

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008


(RE)VISTO # 16
RADIOHEAD – SCOTCH MIST

youtube, 2008

Finalmente, um pouco mais de tempo permitiu a visualização cuidada deste já “clássico” moderno. Gravado no final de 2007 aquando da “ofensiva” pré-concebida de promoção do novo “in Raibows”, este documento de cinquenta minutos apresenta todos os temas desse disco em versão televisiva. Entre actuações surgem alguns separadores lynchianos enigmáticos, tudo da responsabilidade dos Radiohead mas com diversos contributos, destacando-se o nome de Nigel Godrish. Em estúdio ou ao ar livre, mostra-se uma banda reinventora, incontornável e, por isso mesmo, agitadora e que provoca ciumeira, muita... Confirma-se a qualidade do álbum e dos seus temas - “House of Cards”, “Faust harp”, tocado de forma acústica ao ar livre num qualquer sopé ventoso e o final com “Nude” em jeito de teledisco lento, constituem momentos mais altos de um documento percurssor e que, certamente, fará história. Provam-no os 6000 comentários e 1664949 de exibições em pouco mais de mês e meio... Se procurarem melhor encontram no youtube cada um dos segmentos já devidamente separados, mas aconselha-se, no entanto, a versão integral, som bem alto, sem intervalos e imaginem-se naquele estúdio, rodeados pela diversa parefernália de instrumentos e tecnologia e com os Radiohead a tocar só para vós... Genial!
Radiohead - Scotch Mist


PORQUÊ?
Porque é que só ao fim de sete anos ouvimos falar dos Why? Porque é que ninguém parece dar-lhes muita importância? Porqué é que a musica que fazem é realmente imperdível? As respostas estão no novo disco “Alopecia” que sai no início de Março pela Anticon, numa mistura auto-reconhecida de indie folk e new wave. Irresistível e refrescante!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008


CLASSICO # 16
FLEETWOOD MAC – Gypsy (1982)

Sem razão aparente, voltamos durante o fim de semana passado ao disco vinil “Rumours” (1977) dos Fleetwood Mac e... que saudades. Aproveitando a onda, fomos confirmar quais os singles da banda que estavam lá por casa e no lado B de “Coolwater” (curiosamente, um tema que não está no disco) lá estava a canção! Durante os anos oitenta toda gente dita “alternativa” fugia a sete pés dos Fleetwood Mac muito por culpa da bem sucedida carreira a solo de Stevie Nicks e, certamente, pelo enorme sucesso do álbum “Tango in the Night” (1987) e dos singles “Little Lies” e “Seven Wonders”. Para trás ficava esquecido o disco “Mirage” de 1982 onde este “Gypsy” repousa. Agora que os Fleetwood Mac são citados como influentes por gente como os Radiohead ou os novatos Cut Copy, soube mesmo muito bem ouvir para aí uma meia dúzia de vezes este “guilty pleasure” e o eterno verso inicial “So I'm back, to the velvet underground”...

ANIMAL COLLECTIVE “VAI NO BATALHA”
Aviso à navegação: o concerto dos Animal Collective previsto para o Theatro Circo em Braga no dia 28 de Maio foi, aparentemente, anulado. Outra data prévia foi entretanto marcada para o Porto. Assim, dia 27 de Maio a banda actua no Cinema Batalha o que, tendo em conta a dimensão do espaço, acelera a corrida às bilheteiras...


THE RAVEONETTES
Theatro Circo, 14 Fevereiro de 2008

O espectáculo de ontem estava desde logo condicionado. O aviso sonoro prévio provocou na plateia um óbvio “Ohhhhh”: Sune Wagner, a metade masculina, estava impossibilitado de usar a voz e seria na totalidade substituido por Sharin Foo, a outra metade feminina, em todos os temas interpretados. Algum do “charme” estava assim em perigo... O som ao vivo dos Raveonettes é, no entanto, fortalecido por uma bateria/bombos e uma caixa de ritmos metrónica, muito ao jeito dos Jesus & Mary Chain, que permitiram esconder precariamente essa falha. Aliás, o grupo inglês pairou no teatro do início até ao fim, para o que contibuiram decisivamente as guitarras em constante aceleração e alguma distorção. Não foi fácil, assim, conter o fervor de alguma parte do público que compunha agradavelmente quase toda a plateia. Ao fim de alguns temas, já alguns fãs mais corajosos invadiam enregicamente a frente do palco, abandonando, até ao final, o conforto das cadeiras. Entre canções, uns mais afoitos ainda gritaram o nome de alguns temas (Beat City, p.ex.), mas sem aparente sucesso. O duo manteve-se competente, mas sem muita exuberância ou entusiasmo. A dimensão do local também não favoreceu a interactividade ou expontaniedade, transparecendo alguma timidez e até auto-contenção. Já no encore, prometeram voltar para os festivais de verão e agradeceram a todos “por termos ido ao teatro”. Ou seja e apesar da simpatia, tratou-se de um concerto morno, atípico e deslocado principalmente no local. Num palco mais “rock &roll”, dirty e com a banda a 100%, a tensão e energia seriam, certamente, outras. Fica para a próxima!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008


PARA ABRIR A TRIOLOGIA... THE NATIONAL!
O já muito reivindicado por aqui concerto dos National vai acontecer mesmo a 11 de Março em Lisboa (Aula Magna)! Começam assim três dias fantásticos na capital já que a 12 de Março temos Caribou no Santiago Alquimista e dia 13 o Patrick Watson na mesma Aula Magna. Chegados ao Porto, temos Vitalic a 14 na CDM. Vamos ter que meter férias...

*ACTUALIZAÇÃO
Lá se foi a triologia! A data correcta para o concerto, segundo o site da banda, é 11 de Maio, Domingo! Ainda melhor...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008


LUNARIDADES #45

. sauda-se a notória melhoria da programação pop/rock/dança da Casa da Música. Para além de Clubings esgotados anunciam-se, entre outros, Vitalic em Março e The Kills em Abril! Queremos mais, já agora;

. já quanto à programação do Rock Rio Lisboa... meu deus! Só faltam os Guns’ Roses, os Queen versão Paul Rodgers ou os Doors versão Ian Astbury. Milagre, para destoar, seriam mesmo os Led Zepplin!

. não se deixem enganar! Ele há hypes incompreensíveis (ou não) e os Vampire Weekend são o exemplo perfeito! Ouvimos ontem, pela primeira, vez o disco e insistimos hoje e não percebemos o alarido. Simplesmente agradável, mas nada de especial... Tudo soa “aonde é que eu já ouvi isto”;

. o filão Winehouse começa a ser irritante! Já temos a Duffy, a Adele, a Kate Nash, a Lily Allen e outra meia dúzia de artistas no género que a indústria se apressa a descobrir e a impingir. Massacrante!

. Leonard Cohen vai regressar aos palcos ao fim de quinze anos e ainda temos esperança que uma milagrosa data em Portugal aconteça. Como agora está na moda, já há petição...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008


VENDA DIFÍCIL?
A dupla Dj Shadow e Cut Chemist volta a fazer “estragos”. Pela terceira vez, e desde o mítico “Brainfreeze”, reunem-se, samplam-se ou misturam-se singles de vinil 7” (45rpm) só que desta vez parece que foram utilizados 8 gira-discos, pedais de sampling e outros efeitos, numa receita explosiva - “The Hard Sell” é o novo disco gravado num ensaio de um concerto no Hollywood Bawl em Junho passado. Já não temos só funk, mas sim o hip-hop e rock numa formula mais arriscada e dura. Como nota o blog Hit da Breakz – “Não é à toa que a capa do álbum mostra uma velha jukebox a revoltar-se e a disparar singles de sete polegadas contra iPods... Arranjem as vossas cópias o quanto antes. Vão esgotar, certamente. No próximo dia 24 de Março, DJ Shadow estará em Madrid com Cut Chemist para apresentar este projecto. Uma delegação do Hit da Breakz estará presente para depois reportar o que viu
Quem nos dera lá estar...


DJ Shadow & Cut Chemist Scratch LIVE Kansas City, 2.5.08

NOVAS DO CLUBE AMERICANO DE MÚSICA
Enquanto aguardamos, miracolosamente, por uma data dos American Music Club para Portugal (vão estar em Julho no Benicassim e ainda este mês por outras cidades de Espanha), a acompanhar a saída do novo disco “The Golden Age” foi editado, como habitualmente, um outro disco que é vendido nos concertos da banda. Chama-se “Atwater Afternoon” e entre os treze temas encontramos três versões (“I’m Your Puppet” de Sam & Dave e duas de Ray Price) e canções gravadas em concertos e em estilo demo! Nesta pesquisa, descobrirmos que existe um blog dedicado aos AMC, convenientemente chamado “The Invisible Blog” e deparamos com o tal disco já à venda na web. Miss it now and pay £40 on Ebay next year…

Nota: Juramos que a foto dos AMC não foi tirada no mesmo local que a do nosso perfil! Talvez só à mesma hora...


FAROL # 47
O Dj AmpLive decidiu lançar, sem contactar a banda, algumas remixes de temas do último álbum dos Radiohead a que chamou “Radiohead Rainydayz Remixes”. Para o efeito criou um site alusivo e onde gratuitamente podem ser descarregadas as oito “experiências”. It’s not up to you. Is free, diz ele. Ok… computer!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

DUETOS IMPROVÁVEIS # 35
THE RAKES & LILY ALLEN

Let’s dance (Bowie)
Programa Taratata, Tv França, 7 Setembro 2006


AS IRMÃS PUPPINI
Estas harmoniosas ”irmãs” cantam naquele estilo vaudeville típico dos anos 40 e chegamos até elas através de uma excelente versão de “Crazy in Love” de Beyoncé. Aliás, versões em disco e ao vivo é coisa que não falta desde Barry Manylow, a Bangles, Gloria Gaynor ou até Duke Ellington. O estilo aproxima-se muito de um single dos Stars on 45 lançado nos anos oitenta em que as Star Sisters faziam um medley de standars do jazz popularizadas pelas originais e verdadeiras Andrew Sisters, o grupo feminino que mais discos vendeu na história da música principalmente durante o período da 2ª Guerra Mundial. As Pupinni Sisters obviamente que não são irmãs mas tem alguma piada no seu retrostyle, apesar da mistura bizarra de estilos. O segundo disco foi recentemente editado e serve acima de tudo como descompressor. Já não é mau...
The Puppini Sisters - "Jilted"

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008


3 X 20 FEVEREIRO

20 canções:
. DISKJOKKE – Some signs are good
. HOT CHIP – Hold on
. PONI HOAX – Involutive star
. CUT COPY – Lights & Music
. TUSSLE – Trappings
. RADIOHEAD – Bangers & Mash
. EARLIMART – Nevermind the phonecalls
. BURIAL – Ghost hardware
. HERCULES & LOVE AFFAIR – Time will
. SEBASTIEN TELLIER – Divine
. JENS LEKMAN – A postcard to Nina
. GOODBOOKS – Running away
. THE MOST SERENE REPUBLIC – Solipsism millionaires
. CHRS WALLA – Everyone needs a home
. KELLEY STOLTZ – Morning sun
. JOSÉ GONZÁLEZ – Killing for love
. ADELE – Daydreams
. SYD MATTERS – My lover’s on the pier
. EL PERRO DEL MAR – How did we forget
. AMERICAN MUSIC CLUB – The sleeping beauty


20 versões:
. CAT POWER – Naked, if I wanted to (Moby Grape)
. ANGIE STONE - Be Ever Wonderful (Earth, Wind & Fire)
. BRIAN GROSZ - Roads (Portishead)
. JUNIP - The Ghost Of Tom Joad (BSpringsteen)
. LITTLE ANNIE – I still haven’t found (U2)
. SUFJAN STEVENS - Free Man In Paris (Joni Mitchell)
. LIGHTSPEED CHAMPION - Happy New Year (ABBA)
. HOT CHIP - Graceland (Paul Simon)
. VOXTROT - Heaven (Talking Heads)
. SEABEAR - Teenage Kicks (The Undertones)
. MADELAINE PERROUX – Between the bars (Elliot Smith)
. BATT FOR LASHES - I'm On Fire (BSpringsteen)
. KATE NASH - I'm Not Gonna Teach Your Boyfriend…(Black Kids)
. NIKKA COSTA - The Denial Twist (White Stripes)
. MYSTERY JETS - Pioneers (Bloc Party)
. JARVIS COCKER feat. BETH DITTO - Temptation (Heaven 17)
. ADELE - Last Nite (The Strokes)
. BONO & SECRET MACHINES - I Am The Walrus (The Beatles)
. MARS VOLTA – Things behind the sun (Nick Drake)
. JACK PENATE – 1,2,3,4 (Feist)

20 remixes:
. !!! - Myth Takes (The Brothers Remix)
. THE KILLS - U.R.A. Fever (Remdog Remix)
. ARCADE FIRE - Black Mirror (Andrew Maury Remix)
. KYLIE MINOGUE – Wow (CSS remix)
. CHROMEO - Needy Girl (Teenage Bad Girl remix)
. VHS or BETA - Burn It All Down (Midnight Juggernauts Remix)
. WOMBATS - Moving to New York (The Touch remix)
. CUT COPY - Lights & Music (Boys Noize remix)
. LOVE IS ALL - Make Out Fall Out Make Up (The Bees Version)
. FIELDS - If You Fail (Badlands Remix)
. THE RAVEONETTES - Dead Sound (P. Holmstrom & J.Sherrer remix)
. CARIBOU - She's The One (Hot Chip Remix)
. ADELE - Hometown Glory (Night Facilities Remix)
. GOLDFRAPP - A & E (Hercules & Love Affair Remix)
. JENS LEKMAN - I'm Leaving You Because I… (Spoolwork Remix)
. EL PERRO DEL MAR - Inner Island (The Hood Internet Remix)
. ANDREW BIRD - Plasticities (Remix)
. XTC - King For A Day (Versailles Mix)
. RUFUS WAINWRIGHT - Tiergarten (Supermayer Remix)

. MIDLAKE - My Young Bride (Roger O'Donnell moog mix)


DUETOS IMPROVÁVEIS?
O ansiosamente esperado álbum de versões de Tom Waits que Scarlett Johansson gravou, ganha agora ainda mais expectativa. O “camaleão” David Bowie canta em duas das canções – Fannin’Street e Falling Down – embora não se saiba ainda se em dueto. Os dois conhecerem-se em 2006 numa festa e esta colaboração é mais um sinal das “boas companhias” que parecem rondar Johansson. O disco novo 'Anywhere I Lay My Head" foi produzido por Dave Sitek dos Tv On The Radio e conta ainda com a participação, entre outros, de Nick Zinner dos Yeah Yeah Yeahs. Em Maio tira-se a prova...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008


O ÁLBUM VERMELHO
Mais um disco prometedor! Os Guillemots tem já pronto o novo álbum de nome “Red” e que sairá no próximo mês pela Polydor. A sucessão do fantástico “Through the Windowpane” de 2006 não é fácil, tendo em conta a qualidade demonstrada, mas pelo que nos é dado a ouvir, arrojo parece não faltar! O single “Get Over it” já roda na rádio inglesa mas no Youtube já circula “Kriss Kross”, um outro tema do disco e que poderão decarregar gratuitamente no myspace.
Entretanto, a banda procura uma voz feminina que saiba também tocar um qualquer instrumento ao vivo já que a saxofonista habitual decidiu parar a colaboração. Aceitam-se candidaturas...
Guillemots – Kriss Kross

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008


LUNARIDADES # 44

. lemos que as salas de cinema portuguesas perderam mais de 130 espectadores por dia em 2007. Um deles, inexplicavelmente, já sabemos quem foi. Mas em 2008 esperamos contribuir para melhorar as estatísticas. Só a passada semana fomos ao cinema três vezes!

. o filme “O Lado Selvagem” ("Into the Wild") de Sean Penn e com banda sonora de Eddie Vedder, estreou no passado dia 31 de Janeiro. Bem que procuramos nas salas disponiveis no Grande Porto mas... népias. A informação é clara: este filme não está em exibição neste distrito. Ou seja, só Lisboa tem esse previlégio e logo em sete salas. Incompreensível e revoltante.

. ainda no cinema, o Fantasporto está aí! É fácil perceber a proximidade do evento, basta estar atento na imprensa às habituais reclamações quanto à falta de verbas. O fado é sempre o mesmo! Triste.

. assistimos ontem nos Grammys a um dueto virtual entre Alicia Keys e Frank Sinatra (“Learning the Blues”) num daqueles “milagres” tecnológicos que a indústria gosta de fazer. Escusado será dizer que Alicia Keys ganhou o prémio de melhor perfomance R&B e o universo da música perdeu um pouquinho mais de credibilidade;

. não sabemos o teu nome ou onde estás, mas ficamos cada vez mais tempo parados nos semáforos. Beleza é... um olhar!

SIMPLESMENTE "JIM"
É este o nome do próximo disco de Jamie Lidell a ser lançado, via Warp, no próximo dia 28 de Abril. São dez novos temas de estilos diversos, mas que o próprio classificou desta maneira – “gospel grooves, passionate soul, ballads, thumping early R&B, synthed-up disco, and 'hillbilly funk”! Recentemente foi lançado um video/esboço do tema “Little Bit of Feel Good". Ele aqui fica... cool!

LITTLE ANNIE
Casa das Artes, V.N.Famalicão
Sábado, 09 de Fevereiro
Foi uma Little Annie bem disposta e inspirada aquela que se apresentou em Famalicão. A comida e bebida portuguesas, logicamente elogiados pela artista, contribuiram também para um efeito libertador e informal. Acompanhada brilhantemente por Paul Wallfisch, pianista virtuoso e ainda de copo de vinho na mão que foi beberricando ao longo da noite, o espectáculo viveu acima de tudo do recente disco de versões “When good things happens to bad pianos”. Acrescenta-se ainda algum glamour e humor que permitiram um acolhedor ambiente de intimidade e simpatia recíproca. Temas que ouvimos nas vozes dos U2, Frank Sinatra, Leon Russell, Tina Turner, Jacques Brel, Candi Staton e outros, tornam-se agora pedaços de inquietude, intensidade e acima de tudo, beleza. Sempre irrequieta, Little Annie parece em permanente estado de ansiedade, olhos enormes e expressivos, dos quais não nos conseguimos desviar. Quando canta Sinatra em “It was a very good year” e reforça o lamento “when I was seventeen” damos connosco a pensar nas suas já longas vivências, agruras ou sucessos que, apesar da maquilhagem, algumas rugas já não escondem. O próximo projecto, agora de originais, repetirá a colaboração com Paul Wallfisch e um dos temas foi experimentado ao vivo com excelentes resultados. Já nos encores, “If You Go Way” (Ne Me Quitte Pas) serve de despedida perfeita e emotiva de uma noite para recordar. No foyer, os cd’s postos à venda quase que esgotam e a simpatia de Annie regista-se, para sempre, em autógrafos e elogios de um concerto muito especial. Grande Annie!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

DUETOS IMPROVÁVEIS # 34
DONOVAN & CRYSTAL GAYLE
Catch the wind (Donovan)
New london Theather, BBC 1981(?)


PEQUENA ANA!
A oportunidade “falhada” o ano passado para ver ao vivo Little Annie em Serralves pode (e deve) ser devidamente compensada já amanhã com o concerto programado para Famalicão. O álbum novo de versões “When good things happens to bad pianos”, realizado em parceria com o pianista Paul Wallfisch, que estará também na Casa das Artes, parece ser suficientemente atraente e envolvente. À depuração de temas de U2, Judy Garland ou até Tina Turner, irão juntar-se, com toda a certeza,originais do primeiro disco a solo “Songs From the Coalmine Canary” (2006) produzido por Anthony. Apesar da falha no Quadro Eléctrico, esta é uma rcomendação de fazer tocar a campainha...

COURA COM SEX PISTOLS
Os Sex Pistols são a primeira banda confirmada para a edição de 2008 do Festival Paredes de Coura que terá lugar de 31 de Julho a 2 de Agosto. Assim e pela primeira vez o festival irá acontecer num fim-de-semana e mais cedo, numa tentativa de ”agarrar” bandas agendadas para os festivais espanhois de Benicassim e Summercase. Ora bem, o que parece que é estes dois festivais vão acontecer ao mesmo tempo, no mesmo fim-de-semana, de 17 a 20 de Julho para Benicassim e 18 e 19 de Julho para o Summercase e com preços assustadores, mesmo em pré-venda – respectivamente 170€ e 95€!! Entre as bandas já confirmadas por terras de Espanha a tendência é a mesma, isto é, só pesos-pesados: My Bloody Valentine, The Breedeers ou The Stranglers, mas também por lá andam os fabulosos American Music Club, The National, ou os Mystery Jets. Vamos lá ver se sobra alguma coisa para Coura!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008


CULTO # 4
THE INNOCENCE MISSION

A atenção que sempre demos a esta banda americana começou ocasionalmente, ou seja e como muitas vezes acontece, pelo desenho de uma capa. Perdido no meio de promoções de vinil da loja Valentim de Carvalho de 31 de Janeiro, o disco “Umbrella” logo suscitou curiosidade. Na altura trouxemos também um maxi do tema “And Hiding away”, tudo perfeitamente às escuras! Estaríamos por volta de 1993 e ao fazê-los rodar no gira-discos lá de casa a surpresa e fascínio foram imediatos. Uma voz indescritivel e até estranha e canções graciosas e bonitas! As tentativas de saber mais sobre tão admirável banda não foram facéis. Com a tímida descoberta da Net em 1996, procuramos num computador online da Feira do Livro do Palácio de Cristal as tais informações. O disco comprado em saldo era então o segundo álbum de uma banda iniciada por Karen & Don Peris, marido e mulher e alguns amigos duma comunidade enraizadamente cristã. Formados em 1986 na Pensilvânia, assinaram pela major A & M, pela qual tinham editado em 1989 o primeiro e homónimo álbum. Numa viagem a Londres em 1996 não foi mesmo assim fácil arranjá-lo (em cd, entretanto reeditado), o que milagrosamente aconteceu numa pequena loja de Portobello acompanhada pelo comentário certeiro “nice choice” do dono. A permanente atenção nas lojas de discos da altura permitiu comprar os raros discos seguintes: “Glow” de 1995 e “Birds of My Neighborhood" de 1999, este uma verdadeira obra-prima. Entre outras “gemas”, destaca-se o single “Lakes of Canada”, canção intemporal e viciante, que recebeu já muitas versões de outros artistas tal como Sufjan Stevens. Muitas vezes comparados aos defuntos 10.000 Maniacs, principalmente pela semelhança da voz de Natalie Merchant, os Innocence Mission sempre se mantiveram como uns outsiders da pop, apesar de contínuos elogios da imprensa especializada e outros músicos como Joni Mitchell. A dedicação a causas sociais e de solidariedade de inspiração cristã é um modo de vida contínuo. Neste âmbito, lançaram em 2000 o ep “Christ is My Hope” com receitas a favor do combate à pobreza na Pensilvânia, estratégia repetida em 2004 com o excelente disco de versões “Now the Day is Over” (“Moon River” de Mancinni é arrepiante). Em 2007 lançaram nos EUA o fantástico “We walked in song”, o sexto álbum que foi recentemente editado na Europa, um conjunto assinalável de temas e que alguém já classificou de “Dream Pop”. Música que é um sonho!

The Innocence Mission – Bright as Yellow (1995)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008


PONI HOAX
Aos franceses Poni Hoax associa-se quase sempre a etiqueta italo-disco, muito por culpa do brilhante álbum homónimo de 2006. Joakim heveria de ralizar uma brilhante remix para o tema “Budapest”, mas o disco está cheio de temas viciantes como “Involutive Star”, “She’s on the radio” ou “She Sells Anger”. Enquanto aguardamos ansiosamente pelo segundo album, a banda editou no final de 2007 o ep “Antibodies” produzido pelo próprio Joakim e com algumas remixes adicionais. O video aqui fica... bassline!
FAROL #46
Esta gravação de um concerto acústico de Jeff Buckley numa passagem de ano de 1995 em Nova Iorque (Mercury Lounge), foi ilegalmente editada em Cd e faz parte, aliás, da nossa extensa colecção do género. Trata-se de um dos melhores piratas de Buckley, com bom som e um artista bem disposto e no auge do talento. Ouçam só a fabulosa versão de 3 is Magic Number mesmo no fim! Serve também de prendinha virtual para a menina Aglidole que faz hoje 3... is a magic number! Parabéns!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008


LUNARIDADES # 43

. sempre que chega esta altura pré-Óscares damos conta que idas ao cinema são cada vez menos. Sem explicação (a última foi para ver o Control), mas dos filmes candidatos nem um único ainda vimos... Temos que rapidamente recuperar o gosto pela sétima arte!

. se passarem pelo Norte Shopping percam-se na Floresta Gráfica, exposição/instalação patente no espaço Silo. Trata-se de mais uma mostra organizada por Andrew Howard (designer) que nos alerta e sugere imensas questões sobre o que visualmente nos rodeia no dia-a-dia. Muito bom!

. a maior livraria do país vai abrir no antigo espaço comercial dos Clérigos, abandonado há já alguns anos. A Byblos ocupará a totalidade da área e terá à disposição 150 mil títulos! Mais um bom contributo para o renascer do eixo Clérigos/Almada, espera-se...

. Obama amigo, já faltou mais. Força!


. Bom Carnaval! Advirtam-se!

AFINAL...
os Frank & Walters ainda existem! Típica banda indie dos 90, dados a conhecer com o tema “Fashion Crisis Hits New York”, estes irlandeses viriam a “rebentar” com um outro single – “After All”, um enorme sucesso na Europa pela mão de Ian Broundie (Lightning Seeds). Ao longo dos anos fomos sempre comprando, ao preço da chuva, alguns maxis e cd’s em saldos das Valentins de Carvalho. O álbum “Grand Parade”, editado pela Setanta já no final da década, é, aliás, um daqueles tesouros pop esquecidos a precisar mesmo de prospecção. Assim, é com alguma surpresa que vemos a banda agendada para tocar em Vigo na próxima sexta-feira para apresentar um novo e elogiado álbum e, com toda a certeza, revisitar o passado. After all!