sexta-feira, 23 de junho de 2017

UAUU #388

SARAH BELKNER + JFDR, Festival Gaia Todo Um Mundo, 17 de Junho de 2017

A tarde de calor até que convidava a um concerto informal ao ar livre, mas não tanto! O facto de o palco Bernardino estar instalado numa artéria inclinada com trânsito de autocarros, aceleras frenéticos entre turistas ocasionais e moradores indiferentes, condicionou em muito o valor das canções de Sarah Belkner. Elevada no seu altar cimeiro demasiado distante de quem a queria ouvir como deve ser, a jovem australiana ultrapassou, em parte, os constrangimentos sempre com um sorriso nos lábios tentando aproximar vontades e sensações mas o momento pareceu-nos, mesmo assim, um erro de programação certamente arrojado mas inconsequente. A rever, esperemos, numa próxima edição.    

   


O regresso de Jófríður Ákadóttir aka JFDR, que esteve recentemente em Espinho, teve, este sim, um cenário a condizer. A capela do Convento Corpus Christi, impecável no seu restauro e luminosidade, oferecia todas as condições para que os temas de Jófridur ganhassem altitude e leveza, mesmo que nalguns casos tenha sido perceptível na sua postura alguma amargura... Talvez a "separação" da irmã e do projecto Pascal Pinon explique parte da angústia que emana das canções extremamente pessoais e íntimas, como fez questão de confessar na introdução a cada uma delas, mas a sua música teve sempre o condão derradeiro de inverter essa melancolia num optimismo saboroso e sonhador.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

GARETH DICKSON, Armazém 22, Festival Gaia Todo Um Mundo, 16 de Junho de 2017

A presença de Gareth Dickson ao lado de Vashti Bunyan num memorável serão de 2015 deixou-nos muita água na boca. Desde aí, suspirávamos por uma oportunidade certeira de o ouvir num espaço aconchegante e de acústica perfeita, condições que finalmente e de forma surpreendente - e gratuita! - aconteceram em Gaia na passada sexta-feira. O Armazém 22 talvez merecesse mais gente mas o brilho da prestação de Dickson e a delicadeza da sua música encheram as medidas de todos aqueles que corajosamente aí acorreram mesmo que o horário não fosse o mais apelativo. Contudo, não há nem pode haver horas boas nem más para desfrutar de tamanha preciosidade sonora e o momento por si só confirmou que Gareth Dickson talvez seja hoje imbatível na aproximação ou recriação de um género musical sem idade nem prazo que aprendemos a amar de olhos fechados e mente sempre aberta. Inigualável!              

terça-feira, 20 de junho de 2017

3X20 JUNHO













Com atraso...

PRIMAVERA SOUND PORTO 2017: UM BALANÇO
















10 likes:

1. mais e melhores casa de banho a que se junta uma limpeza exemplar do recinto;

2. não sabíamos, mas o canal Arte transmitiu alguns dos concertos na íntegra! É por aqui

3. dez minutos Weyes Blood que valeram ouro. Chapeau!

4. a noite de aquecimento no feminino do Hard Club. Despretensiosa mas eficaz numa fórmula a repetir; 

5. em relação a edições anteriores, melhor o som da maioria dos concertos e, finalmente, em todos os palcos;

6. Shongoy Blues, sinónimo de festa e harmonia sem truques;

7. Arab Strap, uma "substituição" de luxo que muitos ignoraram, inclusive a imprensa presente que se diz atenta;
         
8. atendendo aos tempos de hoje, nada de incidentes, segurança discreta, polícia presente e visível;

9. a eficácia dos Metronomy e a grandeza de Justin Vernon/Bon Iver;

10. o parque, a praia, o rio, a cidade... o Porto, sempre imbatível!


10 dislikes

1. "a que horas é?" foi a pergunta que mais se ouviu já que este ano não houve horários distribuídos para pôr ao pescoço mas sim sim uma "app" para descarregar e é para quem quer. Ou seja, quem não tiver smartphone que se amanhe e leve os horários impressos de casa, mas gastou-se o dinheiro distribuindo um cartão para colocar ao pescoço com sei lá bem o quê, ah, era tal "app". Podiam ter lá posto os horários na mesma já que não os vimos afixados em nenhum lado como é (era?) obrigatório;

2. a dimensão do palco para Angel Olsen talvez fosse exagerado mas a tagaralice e indiferença de muitos prejudicou as canções que se queriam ouvidas a sério. Insultuoso;

3. apesar do respeito que temos por Rodrigo Leão e do projecto com Scott Matthew, a presença em final de tarde num dos palcos principais foi confrangedora. Tudo saiu ao lado, então a voz do tal Matthew... xii;

4. já não é primeira vez que acontece - primeiro dia já em pleno (19h00) mas não há pulseiras nem identificação no parque das bikes, casas de banho sem água, bares sem cerveja, etc. Inexplicável;

5. gostamos de coleccionar o programa/livro do festival onde são apresentadas as bandas/artistas, estamos até na disposição em adquiri-lo, mas aonde? Disseram-nos que vinham no interior da famosa mochila distribuída aleatoriamente mas na que "arrebanhamos"... nada. Há por aí alguém que lhe tenha posto a vista em cima?        

6. com todo o carinho por Elza Soares mas faltou "um peso-pesado" à altura da tradição (Patti Smith, Brian Wilson, Caetano, etc.). Pensar que já tivemos, por exemplo, Blur e Daniel Johnston no mesmo dia (2013)!

7. sem bairrismos bacocos mas "o gosto mais de Lisboa que do Porto" de Julien Ehrlich/Whitney em pleno concerto já não foi feliz mas as tentativas seguintes em tentar disfarçar o deslize ainda soaram piores;

8. o petisco portuense estava na ementa gourmet do festival? Francesinha, uma raridade e, já agora, cerveja preta;

9. com tanto WC disponível ainda há muitos e muitas que "descarregam" nos arbustos, árvores e afins. Enfim...;

10. o que é feito do Miguel Ângelo/Delfins um habitué que teve falta a vermelho. Sinal da fraqueza do cartaz?

sexta-feira, 16 de junho de 2017

THE CLIENTELE, CHEGOU A IDADE DOS MILAGRES!





















No primeiro dia de Outono, 22 de Setembro próximo, estará disponível um novo álbum dos The Clientele através da Merge Records, o primeiro de originais em sete anos. Com uma capa lindíssima da autoria da artista britânica Carel Weight (1908-1997), o disco foi baptizado de "Music  for The Age of Miracles" o que é, obviamente, uma dádiva nos tempos que correm e onde, para além das indispensáveis guitarras, a banda se envolveu ao longo de doze canções com uma orquestra de sopros e cordas e a utilização pela primeira vez de um saz turco e um santoor iraniano. Aqui fica "Lunar Days", uma primeira e facilmente reconhecível maravilha.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

SONGHOY BLUES+ELZA SOARES+WAND+THE GROWLERS+SHELLAC+MITSKI+METRONOMY+WEYES BLOOD+JAPANDROIDS+APHEX TWIN+TYCHO, Primavera Sound Porto, 10 de Junho 2017
















E ao terceiro dia, o festival já merecia um começo assim, animado, diferente, relaxante, isso mesmo, um tonificante para a última maratona que se adivinhava dura. A loção vigorosa veio do deserto do Mali, chama-se Songhoy Blues e foi distribuída a uma moldura apreciável de pessoas que responderam ao chamamento ritmado que, num ápice, se espalhou pelo relvado já menos frondoso do palco arboral. Um momento de partilha assinalável e inesquecível e, por isso mesmo, obrigatório em qualquer top de concertos da edição deste ano!



Quanto a Elza Soares, sentada no seu trono cimeiro, embora encoberta muitas vezes pela intensidade do sol, foi igual a si mesma - animada, desafiadora e até imperial nos apelos fortes contra a descriminação e violência sobre as mulheres ("mulher tem que gritar") ou na homenagem vincada à transsexual Gisberta assassinada brutalmente no Porto em 2005. Para todas as reivindicações serviu-se de uma mão cheia de canções enormes onde o samba, a bossa nova e a MPB se reinventam através de um notável conjunto de músicos e que teve resposta à altura entre a plateia acolhedora. Apesar de arriscada, a aposta estava ganha e a todos os pedidos da rainha de "quero gritos" vamos continuar a responder de bom grado "ahhhhhhhhhhhhhhhhh"!



Chegava a hora de uma primeira ronda por outros palcos mas logo na primeira paragem demos conta que em frente aos californianos Wand estava uma verdadeira multidão interessada e nitidamente satisfeita com o que ouvia. E o que soava não era de fácil descrição, uma jam psicadélica de camadas consistentes em que a guitarrada se afirma e eterniza em ondulações estranhas e que talvez explique, ou não, porque é que parte dos membros fazem parte dos The Muggers, a rectaguarda instrumental com que Ty Segall tem feito a festa desde o ano passado. Valeu!





Na descida para o palco principal batido pelo sol, a toada dos The Growlers servia de embalo a uma maioria espraiada na relva entre copos de vinho e cerveja, mas havia alguns, parecerem-nos muitos, que se ocupavam em desfrutar do momento de uma forma mais eficaz. Brooks Nielson continua imparável naquela atitude desmazelada de quem está ali só a passar um bom bocado não deixando o groove ir abaixo e a que lhe junta a sua voz nasalada a que ninguém fica indiferente. Um bom momento, na altura certa, mas a ronda tinha que continuar...



Torna-se quase obrigatório "marcar o ponto" num concerto dos Shellac, os totalistas do festival mas que nunca tocaram em nenhum dos principais cenários, cabendo-lhes desta vez em sorte e em pleno dia, fazer explodir o noise rock no parque mais retirado. Percebe-se a variação, mas o que é certo é que a adesão continua em alta e a banda, não se fazendo esquisita, repete a façanha como se fosse uma estreia. Concluímos, afinal, que tirando uma noite em Serralves, nunca chegamos a ver uma sessão do trio comandado por Steve Albini de princípio ao fim. Ainda foi não desta.



A questão das cotas artísticas para um evento com esta dimensão surgiu este ano em alguma imprensa. A primazia dada ao feminino no aquecimento do Hard Club indicia, aparentemente, que a organização concluiu que as mulheres tinham uma presença deficitária no alinhamento principal mas parece-nos que o assunto é supérfluo e sem sentido. Se foram poucas as eleitas para o Parque da Cidade, elas foram todas brilhantes sendo a japonesa Mitski mais uma prova que a quantidade nem sempre é sinónimo de qualidade - excelente concerto de canções rudes e adultas de forte inspiração pessoal e de uma subtileza desafiadora. Ouçam bem "Jerusalem" no video abaixo!  



Já lá vão oito anos desde que os Metronomy passaram pela Casa da Música em formato trio, nos bons tempos em que o espaço portuense se dedicava ao pop-rock. Haveriam de voltar a Coura em 2011 já em começo de consagração e para o que associaram um baixista e um baterista a sério. Canções orelhudas como "The Bay", "Everything Goes My Way" e sobretudo "The Look" são, desde essa altura, verdadeiros clássicos dançantes e era deles de que todos estávamos à espera sem muitas demoras. Num alinhamento nada inocente, a colina rapidamente virou pista de dança e em pouco menos de uma hora os Metronomy alcançaram o pleno particularmente arrebatador quando se iniciaram os mais que conhecidos acordes do irresistível "The Look". Um concerto certeiro, sem rodeios e com a baterista mais sexy do mundo ou, quiçá, do festival!



Sem tempo a perder, na esperança que a menina Natlie Mering ainda estivesse à nossa espera, torneamos a multidão, aceleramos o passo e só paramos nas grades do palco Pitchfork onde Weyes Blood regressava ao norte do país. Seria um sacrilégio não tentar a sorte de ouvir ainda a sua voz e o esforço valeu-nos a felicidade de presenciar um pouco mais de dez minutos de excelência -  uma versão inebriante de "Vitamin C" dos Can (em Guimarães tinha sido "A Certain Kind" de Robert Wyatt) e esse monumento chamado "Bad Magic", sozinha com a guitarra e que por si só se tornou num dos momentos mais arrepiantes do festival. Memorável!



Depois de um reabastecimento rápido e a precisar de um abanão, nada melhor que os trinta minutos finais dos Japandrois. Rock clássico de bateria e guitarra em versão mais grosseira e descarnada que o punk tão bem soube usar, a dupla canadiana esteve em permanente curto circuito sonoro e sem nada a esconder, uma perfomance energética e irrequieta que marcava o final de tournée e que servia de descompressor para ambas as partes, público e banda. O power só foi desligado quando terminou a carga desse estimulante chamado "The House That Heaven Built" e Brian King deixou literalmente cair a guitarra...        



A dúvida, atendendo ao programa, estava em quanto tempo iríamos aguentar no concerto de Aphex Twin. Sem qualquer perspectiva sobre o que iria acontecer, o melhor seria procurar um local bem no meio do espectáculo para sentirmos efectivamente a validade do trabalho que o misterioso Richard James tinha preparado. Ficamos até ao fim, ou seja, duas horas! Não perguntem o porquê mas o conjunto de todas aquelas batidas abrasivas e experimentos sonoros aliados a uma espectacular sobreposição de luzes e imagens (se procuram as sátiras aos nosso socialites, políticos, artistas da bola ou do pimba, etc. elas estão no video abaixo ali a partir do minuto quinze) tornou-se de tal modo aditivo e alienador que, apesar de alguns momentos em que nos deu vontade de desistir, acabamos sempre a olhar para o palco e a simplesmente abanar o corpo. Um acto de resistência mas, ainda assim, recompensador.  



E pronto, o festival caminhava para o fim mas o fim-de-festa tinha ainda uma agradável surpresa. Tycho, assim se chama o colectivo comandado pelo americano Scott Hansen, conseguiu encher a tenda com os seus instrumentais chillwave e um conjunto de imagens relaxantes que nos ajudou e de que maneira a "regressar à terra" e a mais uma vez sair do parque com um grande sorriso nos lábios. Até para o ano (7, 8 e 9 de Junho de 2018)!  


JEREMY JAY+POND+WHITNEY+ANGEL OLSEN+NIKKI LANE+TEENAGE FANCLUB+BON IVER+HAMILTON LEITHAUSER+KING WIZZARD & LIZARD WIZARD, CYMBALS EAT GUITARS, Primavera Sound Porto, 9 de Junho de 2017
















A aclamada pop alternativa do norte-americano Jeremy Jay levou-nos ao palco arborizado do festival na esperança de ser surpreendidos mas o pouco entusiasmo que o próprio musico manifestou e a fraca adesão do público cedo deixaram adivinhar que o melhor seria ponderar a desistência...



Com os Pond no palco principal não havia que enganar. Os australianos são hoje uma forte certeza do chamado rock psicadélico embora neste último disco a vertente mais pop tenha ganho mais e força e, consequentemente, mais audiência. Para o confirmar bastava ouvir uma já larga maioria a soletrar as letras o que foi principalmente notório em "Paint Me Silver", um hino de verão mesmo à espera de rebentar. Nick Allbrook continua imparável e os Tame Impala que se cuidem que os parceiros e amigos estão cada vez melhores e em fase acentuada de crescimento!



Tínhamos no concerto dos Whitney um dos momentos mais aguardados do festival. O disco de estreia é uma jóia percorrida de fio pavio nos últimos tempos e foi bom ouvir a quase totalidade das suas canções neste fim-de-tarde soalheiro. Mas, haverá sempre um mas que impede a perfeição, seja porque a banda estava de directa à custa de atrasos nos voos, seja porque o alinhamento foi algo desequilibrado, seja até pela arriscada confissão de Julien Ehrlich em preferir Lisboa ao Porto, uma tirada que tentou disfarçar entre sorrisos amarelos e desculpas. Podia ter sido melhor? Talvez, mas ficamos satisfeitos.











Já lá vão quase dois anos que vimos Angel Olsen em Guimarães e, olá, esta é a mesma menina? Alguma dieta houve de certeza, retoques de imagem e beleza também e até a respectiva e aumentada banda vestida a rigor eram tudo sinais que Olsen está preparada para novos e altos voos que o último disco permitiu merecidamente alcançar. A forma como entrou em palco, uns bons momentos depois da banda e a forma com o antecipou a saída, demonstram ainda um cuidado na gestão de uma nova imagem artística que foi maturada e preparada de forma a elevar o sentido das suas excelentes canções. Depois de um início mais irrequieto com, por exemplo, "Shut Up And Kiss Me" e "Not Gonna Kill You" que envolveu até uma estranha dança de sapatos e sapatilhas entre o público (!), a onda passou a ser mais planante e calma, uma opção arriscada mas que, no nosso caso e apesar da tagarelice de muitos, soube muito bem. Então quando soaram os acordes mágicos de "Those Were The Days" com o sol a esbater... ui!



Antes do muito esperado concerto da noite, entre filas nunca vistas para matar a fome e a sede, da deambulação pelos palcos escolhemos uma espreitadela aos míticos Teenage Fanclub, opção agradável mas com uma adesão morna e onde o mais notado era satisfação de uma banda com quase trinta anos em estar ali naquele momento a tocar para tanta gente. Respeito!



A irrequieta Nikki Lane e a sua banda vieram de Nashville, trouxeram os chapéus típicos na cabeça e espalharam boa disposição à custa de uma categoria musical em desuso mas, talvez por isso, surpreendente - a country music! Grande voz, temas mais que oleados e energéticos, puseram a tenda a abanar e a festarola envolveu até um boneco insuflável que foi parar acima do palco por onde ficou a "descansar" até ao final, num dos momentos mais pândegos do festival. A prova que não há limites de géneros sonoros e que, se bem alinhados e escolhidos, resultam, como neste caso, na perfeição.



E pronto, chegamos ao muito aguardado regresso de Bon Iver à Invicta. Desta vez tinha à sua espera uma plateia imensa e em pulgas para poder cantar as suas canções e mostrar-lhe todo o afecto e devoção. Justin Vernon cedo percebeu essa pressa, agradecendo de forma recíproca a dedicação e as boas vibrações da cidade num concerto sempre em alto nível, com excelentes músicos e onde a primazia foi para o último disco que parece ser já um velho conhecido. Quando regressou para o encore, uma raridade por estes dias, e pegou na guitarra ainda suspiramos pelo "re-Stacks" mas saiu-nos o "Skinny Love" cantado em coro como se fosse a última vez. Às tantas foi mesmo!



Os extintos Walkmen, que já andaram por estas paragens, deixaram sementes frutíferas um pouco por todo o lado mas o jardim português parece, desde sempre, o mais acolhedor e, já agora, primaveril. Hamilton Leithauser, o seu saudoso vocalista, tem nos últimos anos apostado numa reinvenção artística que implicou o ano passado a colaboração com Rostam Batmanglij, teclista dos Vampire Weekend e cujo resultado foi um álbum inteiro de canções que serviram de principal ementa (exclusiva, quase, com excepção de "Alexandra") para o serão portuense. Bom gosto em doses recheadas quer nos temas quer nas imagens de fundo de palco, apesar de em Leithauser ter transparecido alguma má disposição e desconforto que se foram dissipando aos poucos mas para os quais, aparentemente, não haveria razões visíveis: tenda cheia, canções decoradas e cantadas por muitos e som sem reparos. Como última noite da tournée talvez se esperasse maior intensidade, mas, seja como for, gostamos muito.



Demorou algum tempo para que o PA desse de si com a totalidade dos King Gizzard & The Lizard Wizard em cima do palco à espera do tiro de partida. Resolvido o contratempo e baixada a bandeira, a corrida começou frenética com "Rattlesankes" naquilo que se tornaria numa imparável jornada sónica que muitos não vão esquecer. É quase insano perceber como é que duas baterias em simultâneo e sem falhas jogam e se aparelham com três guitarras desenfreadamente ao desafio e sem pausas, que por aqui não há faltas de gasolina, numa agitação que provocou caos controlado e um verdadeiro motim poeirento. A correria só haveria de parar com o magnífico "The River" lá para o fim, uma pérola raçada de bossa-nova e novo jazz que serviu para limpar o suor e à primeira oportunidade ir buscar uma cerveja já de luzes apagadas. Ufa, impressionante!





No caminho de volta e ainda atordoados encostamos às boxes/grades do palco Pitchfork para a despedida dos Cymbal Eat Guitars, local onde poucos se tinham refugiado. Para memória futura, aqui ficam um pouco mais dez minutos dessa presença... até amanhã!

sexta-feira, 9 de junho de 2017

SAMUEL ÚRIA+CIGARETTES AFTER SEX+MIGUEL+ARAB STRAP+RUN THE JEWELS+FLYING LOTUS+JUSTICE, Primavera Sound Porto, 8 de Junho de 2017
















O melhor festival do país, mesmo com um cartaz arriscado e desequilibrado, é sempre um must e um desafio. O primeiro dia, contrariando o habitual, teve enchente notada logo ao descer pela primeira vez a colina de um dos principais palcos. Samuel Úria, bem disposto, ia desfilando algumas das suas boas canções como "Carga de Ombro"ou "É Preciso Que Eu Diminua", hinos a merecer coro colectivo nacional para admiração de uma massa estrangeira sorridente e já de copo na mão. Tudo acabou como deve ser com o indispensável "Teimoso" cujas palavras mereciam uma tradução simultânea para provar a todos como se deve escrever uma lírica e uma melodia de uma grande canção pop... eu nunca fui do prog-rock, amen!



A prestação dos Cigarettes After Sex num fim de tarde ao ar livre teve clima a condizer. Nada de sol que demasiada luz pode incomodar a onda levemente negra com que repetem uma receita que primeiro se entranha mas que rapidamente se esvaiu entre a neblina. Mesmo que um novo álbum esteja aí à porta, aguentamos vinte cinco minutos, o tempo certo para que o efeito fosse ainda proveitoso e de alguma utilidade retemperadora... a primeira cerveja!



O esticar do festival a novas gerações e públicos talvez tenha no nome de Miguel o exemplo perfeito. O nosso homónimo apesar de jovem tem já muito tarimba e manha para que a plateia se distraia entre danças em grupo, bracinhos no ar e muitos yeahs que, isto sim, é cool! Quanto à musica, entretida talvez seja o melhor adjectivo que encontramos para a descrever enquanto, já longe do palco, vamos petiscando a primeira dose sortida de especialidades da Padaria Ribeiro. Bem mais saboroso!



Os Grandaddy não comparecem, obviamente, mas vieram em boa hora os escoceses Arab Strap e a oportunidade não devia ser desperdiçada, um sacrilégio que uma geração como a nossa não devia cometer. Pelos vistos, muitos pecaram. Grande concerto, grande banda mesmo que reformada o ano passado, mas ainda e sempre notável na atitude e na entrega e onde Aidan Moffat em plena carburação - contamos pelo menos cinco latas de lúpulo num esfregar de olhos - foi rei e senhor entre os muitos britânicos presentes, mesmo sendo dia de eleições. A nós resta-nos fazer uma simples vénia, a noite estava ganha.



O fenómeno Run The Jewels começou a fermentar já lá vão dois anos no palco mais pequeno do festival. Na altura reclamou-se um cenário maior. Pois bem, melhor não podia haver e a expectativa entre as primeiras filas por onde nos quedamos algum tempo era, como dizer, nervosa. Vimos muitos a soletrar as respostas hip-hop e restantes trejeitos de fio a pavio ao mesmo tempo que saltar se tornava obrigatório. O duo prometeu uma blockbuster night e a recepção foi barulhenta e certamente intensa mas estava na hora de um spot mais calmo e panorâmico do parque da invicta, a melhor cidade do mundo segundo eles, segundo nós e segundo todos os outros.



Aparentemente, deveria haver uns óculos 3D distribuídos a preceito para a sessão de Flying Lotus. A santinha da casa que patrocina o evento bem nos ofereceu um género de binóculos descartáveis ao final da tarde que mandamos para o fundo da mochila e de que ainda tentamos o efeito! Agora a sério, grandes beats e samples, enormes os efeitos e desenhos especiais e bestiais mas os álbuns do génio californiano Steve Ellison para nós bastam como prova sonora. Uma boa experiência, já não foi mau.
 


Os Justice sempre dividiram opiniões mesmo para os não que viram pelo menos uma vez o documentário "A Cross The Universe". Estão sempre a tempo de o fazer. Talvez a maioria dos que aguardavam ansiosamente pela dupla francesa não queira saber de filmes ou argumentos já que a celebração aqui é outra e remete para o refrão de um dos principais hits da banda - "do the dance", simplesmente. O baile começou light e disco com "Safe and Sound" em versão longa misturada a preceito com o tal "D.A.N.C.E" para depois endurecer o electro aos limites enquanto o jogo de luzes, sem deslumbrar, se fazia notar. Chegados aqui, ou seja, ao muito aguardado "We Are Your Friends" a multidão agradeceu a dádiva mesmo sem saber que raios de instrumentos ou quejandos é que a dupla toca em cima do palco. Mas isso não interessa aqui e agora para nada...


IRON & WINE, NOVO ÁLBUM!





















Não haverá melhor forma de começar o dia com o anúncio de um novo álbum de Iron & Wine lá para Agosto. Chama-se "Beast Epic", tem na capa uma fabulosa imagem de um Sam Beam de olhos vendados como não vendo o que se passa à sua volta, uma alegoria que transparece na composição dos onze novos temas inspirados, como confessado, numa "transição contínua" dos nosso dias. Haverá edição especial em vinil já em pré-encomenda, uma intensa digressão americana já a começar este mês e também um primeiro e excelente tema com direito a video oficial. Apetitoso!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

LAS BISTECS+LINCE+JESSY LANZA+SHURA, Primavera Sound Porto (Warm Up), Hard Club, 7 de Junho 2017
















Arriscando uma nova fórmula de antecipação, o festival Primavera Sound do Porto teve ontem uma noite de aquecimento bem animada. Para trás parece ter ficado a tradição de um evento ao ar livre que já passou pelas Virtudes e Fontaínhas, jogando-de no acesso privilegiado a salas seleccionadas da cidade por parte dos detentores de passes gerais, com todas as desvantagens e vantagens inerentes... No Hard Club não houve enchente e a circulação entre as duas salas fez-se sem qualquer sobressalto o que ajudou a uma fruição descongestionada de um serão exclusivamente no feminino.

A partida coube às Las Bistecs, uma dupla endiabrada interessada em agitar as hostes sem contemplações à base de uma receita de electro-choque provocadora e despretensiosa e uma assumida incapacidade para cantar ou tocar qualquer instrumento... muito "século XXI", como foi sarcasticamente justificado. A resposta dos muitos espanhóis presentes foi imediata, contagiando a dança pela sala já bem composta o que fez "soltar a franga" e começar, como convêm, a esvaziar os barris de cerveja nas doses certas!



O nome de Sofia Ribeiro, lindíssima figura que já vimos, entre outros, nos We Trust, teve ontem uma verdadeira prova de fogo. A carreira a solo tem como Lince uma aventura arriscada mas atendendo à qualidade da voz e da composição, as palmas recebidas confirmam uma boa aprovação e recepção mesmo que algum do nervosismo aparente tenha, nalguns casos, comprometido a prestação. Um amadurecimento natural vai acabar, de certeza, por fortalecer da melhor forma um projecto com muitas pernas para andar e agradar.  



O curriculum de Jessy Lanza não engana - do clássico piano ao jazz passando pelo ensino, a menina canadiana criou um refugio assimilador numa electrónica encorpada a que é impossível resistir e cuja onda rapidamente tomou conta da sala maior do clube portuense. Atendendo a que o aquecimento estava já terminado, o muito balanço do público confirmava que a maioria está já pronta para o "jogo" de três dias que se adivinha de festa. Sem dúvida, o melhor concerto da "Ladies Night". A propósito, aquele era mesmo o Giorgio Moroder de copo na mão numa das projecções na tela?



O disco de estreia de Shura é um espelho da pop mais mainstream vinda do Reino Unido onde, sem pudor, se reflectem quase em simultâneo uma série de outras artistas como Madonna, Janet Jackson, Minogue ou até a excelente Jessie Ware. De volta ao norte do país depois da presença em Coura o ano passado, notou-se já algum público fiel com as letras na ponta da língua e de braços abertos para o concerto mas sentimos que a maioria dos presentes estava a ouvir as canções pela primeira vez. Com alguns altos e baixos, destacamos a por nós muito aguardada "What Happen To Us?" mas que ao vivo perdeu muita da aura 80's que lhe reconhecemos e adoramos e que a algazarra de muitos britânicos na frente do palco já em fase adiantada de estágio etílico acabou por deitar por terra - como referia um amigo "Porque é que estes gajos não vão para Albufeira?"... to be continued!



quarta-feira, 7 de junho de 2017

DUETOS IMPROVÁVEIS #200

ALDOUS HARDING & MARLON WILLIAMS
The Threes They Do Grow (Joan Baez)
Ao vivo no Kultur Parterre, Basileia, Suiça
4 de Junho de 2015

RYUCHI SAKAMOTO, PEDACINHOS DE CÉU!

O mestre Ryuchi Sakamoto gravou um novo álbum de estúdio, um milagre que já não acontecia há oito anos. A longa espera foi marcada pela luta contra uma doença maligna entretanto superada e que motivou uma inspiração profundamente íntima que pretendia responder à simples pergunta "que música é que eu quero ouvir?". O resultado chama-se "async", saiu na Milan Records em Abril e entre os treze pedacinhos de céu, ora tormentosos ora límpidos, para subirmos às nuvens está esta obra prima de quatro minutos baptizada de "ubi"...

sábado, 3 de junho de 2017

LULA PENA+VAIAPRAIA E AS RAINHAS DO BAILE+BEZBOG/VASCO DA GANZA/WELL+NIÑO DE ELCHE, Serralves em Festa, Porto, 2 de Junho de 2017

A edição deste ano do Serralves em Festa, em versão aumentada, teve ontem um início calmo e sem enchentes o que permitiu uma rápida mas desanimadora visita livre aos célebres Mirós antes da descida ao prado. Aí, já o concerto de Lula Pena ia em fase de cruzeiro, entretendo uma plateia sentada, reduzida e friorenta, mas incapaz de resistir a uma música que tem no fado, nas mornas e na bossa nova uma portugalidade intercontinental. Voz grave e quente que um saxofone e uma harpa adornam ainda mais numa aparente simplicidade só ao alcance de uma artista que interessa continuar a descobrir.



Subindo ao ténis, onde se o pó tinha já levantada à conta da correria que os Vaiapraia e as Rainhas do Baile incitaram, ora aqui está um caso de frontalidade sonora sem freio a que se vira costas imediatamente, como notamos, ou se assenta arraiais na festa. Intensidade apunkalhada incomum e que merecia outro horário, outro recinto e uma maior adesão espontânea e que talvez, num futuro próximo, acabe a desaguar numa madrugada do prado...



De visita ao Museu de Serralves, onde a biblioteca virou laboratório, um conjunto de cientistas sonoros foi, à vez e frente-a frente, fazendo a sua preparação que haveria de se tornar, ao fim de uma hora, numa emulsão experimental notável e sem dúvida surpreendente a que festa já nos habituou. Um alongamento de sensações que é merecedora de aplauso.



O flamenco já não é o que era e ainda bem! Nino de Elche aproveita a língua castelhana, a cultura e alguns dos ritmos e dá-lhe uma volta que só não é de 180º porque corre por ali uma pureza gitana. Serve-se da poesia, da repetição, dos samples e de uma guitarra gingona para fazer colidir o tal flamenco com uma série de géneros modernos como a electrónica e até alguma pureza rock numa receita quase inclassificável mas, sem dúvida, inovadora.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

RUFUS WAINWRIGHT, Theatro Circo, Braga, 31 de Maio de 2017

A única e milagrosa data ao vivo de Rufus Wainwright pelas redondezas tinha no Theatro Circo um cenário ideal para um regresso triunfante, mas desde o início se sentiu que o artista estava como de passagem... Nada, no entanto, que tenha diminuído a nossa contínua atenção no palco e nas canções escolhidas um pouco por todo um imenso e invejável repertório artístico mas que particularmente na versão à guitarra, instrumento em nítido deficit de prática, atingiu alguns momentos confrangedores. Mesmo bom foi a estreia e a história inspiradora para uma nova canção chamada, sem certezas, "Sword Of Damocles" e uma maravilhosa e inesperada versão de "I'm Going In" de Lhasa de Sela, talvez o grande destaque da noite. É e será sempre ao piano que Rufus continuará a arrebatar-nos de tensão e, sendo assim, o encore com "Going To a Town", "Hallelujah" e "Poses" tinha tudo para se tornar memorável mas, lá está, mais uma desconcentração na tonalidade e na lírica desta última canção acabou, por culpa própria, por retirar à sequência aquele mais que esperado instante apoteótico. Seja como for e mesmo ao fim de quase uma dúzia de recitais do canadiano onde já estivemos presentes, acabaremos sempre por voltar... e perdoar!              

UAUU #386

terça-feira, 30 de maio de 2017

GARETH DICKSON EM GAIA!





















O novo festival "Gaia Todo Um Mundo", que se realiza de 15 a 18 de Junho nas imediações do Convento Corpus Christi e restante centro histórico, apesar de repetir alguns nomes que recentemente passaram por perto - Nadine Khouri ou JFDR/Pascal Pinon por exemplo - trás muitos mais e entre os quais está o suspirado regresso do fabuloso Gareth DicksonEia... vai ser um mês de rebentar!


HOLY MOLLY!


segunda-feira, 29 de maio de 2017

TYPHONIAN HIGHLIFE+JAMES FERRARO+DUCKTAILS, Passos Manuel, Porto, 26 de Maio de 2017

A dose tripla de concertos de sexta feira passada, uma aparente mistura de géneros e sonoridades, resultou em cheio... numa desilusão. Coube a Spencer Clark aka Typhonian Highlife, uma enorme figura de gabardine e trejeitos cómicos, começar a experimentação com recurso a um teclado a debitar uma linguagem encriptadamente complexa mas, mesmo assim, surpreendente. As colagens sonoras de tão desconcertantes e inesperadas não são de fácil descrição ou catalogação mas se o objectivo era confundir-nos na preparação de um suposto check in intergalático, ficamos sem dúvida alertados mas não convencidos.
   


Apresentado como "uma das mentes mais incompreendidas da música de vanguarda", James Ferraro conseguiu sem dificuldade com a sua curta apresentação reforçar ainda mais esse suposto estatuto. Encafuado na traseira do palco, um refúgio sombrio que mesmo assim implicou o uso de óculos escuros (!), ainda estamos na dúvida se efectivamente se fez música ou simplesmente se limitou a carregar numa qualquer base pré-gravada no computador. Enfim... vanguardismos.



Agora que Matt Mondanile assumiu a ruptura definitiva com os Real Estate e tem nos Ducktails o trilho único para as suas canções, uma noite a solo e "descarnada" até que vinha mesmo a calhar. Senhor de uma composição notável em que a guitarra ganha uma primazia pop lambareira, foi com alguma amargura que o vimos carregar num pré-registo orquestral para a totalidade dos temas novos e velhos que escolheu, uma artimanha que teve tanto de inesperado como de inconveniente. O artista é um bom artista e, como diria o censor brincalhão, não havia nexexidade, hum!



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sexta-feira, 26 de maio de 2017

MARK EITZEL, REGRESSO CONFIRMADO!














Dando razão a todos os rumores que circulavam, está confirmado o regresso de Mark Eitzel a Portugal para dois concertos - em Espinho no dia 28 de Outubro, sábado e em Lisboa no dia seguinte. Fica a dúvida se o serão será em versão solitária ou com banda. A ementa para os lados da Costa Verde começa a ganhar contornos gourmet já que está também agendada para o mesmo auditório a estreia de Benjamin Francis Leftwich (quinta, 9 de Novembro) e um outro regresso, o de Mark Kozelek (sexta, 24 de Novembro).


TIM DARCY DE SECRETÁRIA!

ROCKY RACOON #14





















Passam hoje precisamente cinquenta anos sobre a edição em Inglaterra do álbum "Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band" dos The Beatles. Ao oitavo disco de estúdio os de Liverpool faziam história eternamente sedutora e realmente inovadora, embora a nossa adesão e a este álbum tenha sido, no que ao amor pela sua música diz respeito, um tanto tardia... Desde a capa, à sequência dos temas, passando por alguns misticismos referentes a mensagens escondidas e de leitura difícil - bem tentamos várias vezes andar com o disco para trás sem grandes resultados - há muito para escolher quanto ao valor simbólico de um disco classificado como intemporal, mágico e, acima de tudo, imbatível e que conhece agora uma edição plena de extras, inéditos e coisa e tal. It's getting better all the time... sempre!



sexta-feira, 19 de maio de 2017

UAUU #385

THE MOUNTAIN GOATS, UM MUNDO GÓTICO!

Com lançamento oficial marcado para hoje pela Merge Records, o décimo sexto disco oficial dos The Mountain Goats tem o simples nome de "Goths" e é mais um desconcertante devaneio de John Danielle a mergulhar, ao mesmo tempo e com o habitual humor negro, na pop dos oitenta e em em líricas explícitas que citam Robert Smith, a Siouxie ou os rebuscados Red Lorry Yellow Lorry... Mantêm-se o bom gosto sonoro e muitas e intrigantes histórias para contar como esta dedicatória chamada "For The Portuguese Goth Metal Bands"! Haverá explicação para isto ou para o facto da banda nunca ter pisado solo nacional?

quarta-feira, 17 de maio de 2017

BEACH HOUSE, LIMPEZA DE SOTÃO!

Faltava aos Beach House uma limpeza no sotão lá de casa. Consequência, um álbum de raridades e lados-b estará cá fora no final de Junho com direito a justificação da própria banda e mesmo a tempo de Paredes de Coura. Apostamos que um best of já não deverá demorar muito mais tempo...

segunda-feira, 15 de maio de 2017

QUERCUS, REGRESSA O ENCANTAMENTO!





















Sem grandes alaridos ou foguetório, a mítica ECM fez sair no final do mês passado a segunda aventura do projecto Quercus, trio que nos encantou com uma estreia homónima em 2013 e onde a voz de June Tabor, o saxofone de Ian Ballamy e o envolvente piano de Huw Warren se misturam milagrosamente em temas tradicionais e alguns originais. O novo álbum "Nightfall" mantêm a receita, arriscando, entre outros tantos originais e tradicionais, versões de "Don't Think Twice" de Dylan ou "Somewhere" de Bernstein. O encantamento pode começar a fazer efeito através deste caminho...    

DOUGLAS DARE, Theatro Circo, Braga, 12 de Maio de 2017

A estreia nacional de Douglas Dare teve em Braga uma noite de boas surpresas... para ambos os lados. O artista, surpreendido com a beleza do espaço de plateia quase plena, mostrou-se bastante animado e entusiasmado para apresentar simplesmente ao piano as canções dos seus dois discos, temas que se confirmaram ao vivo um caso vibrante de composição que a acústica do espaço ajudou a engrandecer. O público, expectante e conhecedor, aproveitou para desfrutar o momento de forma rendida e até espantada com duas versões de alto calibre que aqui deixamos e que, como se fosse preciso, confirmam a qualidade do serão e a elevada fasquia de um talentoso músico.



segunda-feira, 8 de maio de 2017

MATT ELLIOTT, Auditório de Espinho, 6 de Maio de 2017

Apesar do Porto ser, desde sempre, um porto seguro para qualquer digressão de Matt Elliott, o fabuloso disco do ano passado "The Calm Before" não tinha ainda desaguado por perto. A oportunidade de ontem era, assim, o momento perfeito para um reencontro premente com alguma da melhor música folk vinda de terras britânicas e que se viria a concretizar, mais uma vez, num excelente concerto. Alinhando algumas das melhores canções desse álbum com outras pérolas mais antigas, Elliott confirmou uma segurança instrumental notável e uma voz firme e que, mesmo adoentada, espalhou envolvimento e sedução como na versão de "Bang Bang" com que terminou um serão de elevada tensão e categoria.



sexta-feira, 5 de maio de 2017

JAY-JAY JOHANSON, EXCELENTE PARANÓIA!





















Sempre tivemos por Jay-Jay Johanson um enorme respeito e até admiração. Irrequieto e activo, com os naturais altos e baixos de um artista que nos anos 90 subiu talvez demasiado rápido ao estrelato, a sua música têm ainda em Portugal uma enorme base de apoio e lembramos bem que foi um concerto seu no antigo Campo Pequeno que em 1998 nos embalou de véspera para uma prova académica de sucesso na manhã seguinte... A visita é recorrente, como a do ano passado para apresentar o seu último álbum "Ópium" em imagens durante o Festival Curtas de Vila do Conde e o estímulo para novas canções é, nota-se, inato e permanente. Não é assim de estranhar que um novo e fabuloso EP tenha já saído em Março, sendo difícil a escolha do melhor entre os cinco temas. Atormentados pela sua subtileza e beleza, recomendamos mesmo assim "Fifteen Years" e o enorme "You'll Miss Me When I'm Gone"...



Entretanto e ainda a saborear convenientemente este registo, surge agora uma nova e grande canção de nome "Paranoid" que será incluída em "Bury the Hatched", novo disco de originais, o décimo primeiro, previsto para Setembro e que Johanson se preocupou em marcar com imagens de amor aos discos de vinil. Para o efeito, convidou a realizadora Laura Delicata para registar uma deambulação sua pela Recofan, mítica loja de Tóquio onde, para além de completar a sua colecção, fomenta uma sofisticada inspiração artística... para nossa sorte!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #19





















Desde a infância sempre ouvimos falar da Casa Caçador na Areosa, uma espécie de "têm tudo" inclusivamente móveis musicais e, claro, discos. Ocupando o rés do chão de um prédio tipicamente "anos 60" revestido com aquele ladrilhado de época, a loja teria duas entradas e duas montras - e, como se comprova, duas linhas telefónicas - precisamente as que hoje são ocupadas pelo inevitável negócio asiático de nome "Chinês Prazeres" no número 338 e uma espécie de pronto a vestir soturno no número 326 da Rua D. Afonso Henriques. Este troço da longa artéria que começa no cruzamento da Areosa pertence ainda à freguesia de Paranhos e é a prova que nem tudo o que fica para lá da Circunvalação já não é Porto embora a rua atravesse ainda nas imediações as freguesias de Rio Tinto, Gondomar e Águas Antas, Maia! Quando compramos este envelope inédito o vendedor confirmou que a loja terá fechado já em plenos anos 90 mas o que é certo é que o enorme e vertical reclame luminoso está ainda por lá bem preso ao prédio, centrado entre duas montras e mesmo por cima da entrada para os apartamentos cimeiros. Outra boa razão para a sua aquisição foi precisamente o disco que estava lá dentro, nada mais nada menos que o enorme "Tin Soldier" dos Small Faces e que na edição portuguesa de 1968 não tinha capa oficial, servindo o envelope de aconchego perfeito a uma malha de enorme calibre... e com direito até com a uma curiosa coloração a lápis da palavra "DISCOS"!  

Casa Caçador, Rua D. Afonso Henriques, 326-338, Areosa-Porto

Casa Caçador, Rua D. Afonso Henriques, 326-338, Areosa-Porto




























terça-feira, 2 de maio de 2017

DEVENDRA BANHART, MUITO LÁ DE CASA!

Da excelente série My Place onde a plataforma Nowness entra casa dentro de criadores artistas ou músicos, chegou agora a vez de Devendra Banhart nos mostrar o seu refúgio inspirador e, neste caso, desanuviador. Excelente... gostamos muito da casa de banho, bem diferente daquela que ficou célebre num afamado video!

UAUU #383

segunda-feira, 1 de maio de 2017

JENNY HVAL, GNRation, Braga, 29 de Abril de 2017

Fotografia Luzimentos/Nuno Mendes

Fotografia Luzimentos/Nuno Mendes

Fotografia Luzimentos/Nuno Mendes














O regresso de Jenny Hval para concertos em nome próprio depois da estreia no Mexefest lisboeta de 2015 tinha um cartão de visita impresso a dourado - o disco do ano passado "Blood Bitch". A multifacetada artista norueguesa jogou aí uma cartada decisiva no reconhecimento unânime da sua ousadia sonora, entrelaçando algum experimentalismo electrónico com uma arrojada lírica em torno do sangue e do corpo humano e em que a pesquisa temática a levou, como confessado, a regressar às origens pesadas em que esteve envolvida nas facetas do drone e do black metal. Ao vivo, o espectáculo alcançou alguma hibridez entre um simples concerto e uma perfomance artística, mas a plateia pareceu estar bastante atenta e atraída pelos temas escolhidos, um alinhamento que deu primazia a "Blood Bitch" mas onde se fizeram também ouvir canções mais antigas. Certamente a dividir opiniões e conjecturas, ficamos com a leve sensação que Hval é um daqueles casos em que muita da fragilidade e até intimidade dos seus temas resulta melhor com uns bons auscultadores de que numa sala de concertos... mesmo que seja escura!    






ALT-J DE SECRETÁRIA!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

CAETANO VELOSO, Coliseu do Porto, 25 de Abril de 2017

















Como escrevemos há alguns anos "Ir a um concerto de Caetano Veloso, sozinho com o violão, sugere-nos sempre uma dupla aspiração: que haja surpresas e que o alinhamento contemple todas e mais algumas daquelas canções porque suspiramos. Parece incompatível (...)". O de ontem no Coliseu do Porto cumpriu esse desígnio mas a vertente da surpresa transbordou numa cintilante escolha de canções que nunca lhe tínhamos ouvido ao vivo, um "alinhamento desalinhado" e, como já alguém fez notar, de "restos de colecção". Mas que restos! Mantêm-se a plena forma de uma voz e guitarra enormes, aquela simpatia ternurenta que nos emociona e tolda os sentimentos quando do silêncio sepulcral da sala emanam canções-monumentos a que se presta veneração eterna enquanto se soletram baixinho as letras que sabemos de cor. Não faltaram, contudo, clássicos obrigatórios como "Leãozinho", "Menino do Rio", "Sozinho" ou "Luz de Tieta" e a Caetano devemos ainda a façanha de nos apresentar a voz de Teresa Cristina e a viola de Carlinhos Sete Cordas. Numa primeira parte, este duo homenageou da melhor forma o legado de Cartola mas quando, no final, se juntou a Veloso, a noite ganhou contornos de arrebatamento contido onde a limpidez da voz da até aí desconhecida e o jogo de guitarras fez imediato furor entre a plateia rendida. Há, como sempre, uma "Força Estranha" que continua a dar-nos a primazia e a felicidade de ter em Caetano um imparável artista que nos ajuda a gostar cada vez mais de música e a aspirar, simplesmente, a ter uma vida melhor. Um abraçaço... forte!          

UAUU #382

terça-feira, 25 de abril de 2017

SINGLES #42





















RAUL SOLNADO - (Ludgero Clodoaldo) Canta Badaladas
Portugal: Zip Zip, 10.002/E Movieplay, 45RPM, 1970
Nas viagens de infância de fim de semana em família ou mesmo depois em boleias para o liceu, um enorme Ford Cortina de um tio era sinónimo de diversão e, acima de tudo, a oportunidade de ver um leitor de cartuchos a funcionar! As histórias humorísticas de Raul Solnado eram obrigatórias como é o caso de "A História da Minha Vida" ou "A Guerra de 1908" e sabíamos de cor sketches registados ao vivo como "É do Inimigo" ou "Chamada para Washington". Nas investidas vinílicas dos últimos anos aproveitamos para recolher muitos destes registos em EP a que acrescentamos muitos outros editados aquando do programa "Zip, Zip", um êxito televisivo produzido pela RTP durante alguns meses de 1969, um marco da cultura portuguesa emitido em plena "Primavera Marcelista". Criado por Carlos Cruz, Fialho Gouveia e o próprio Solnado, por lá passaram pela primeira vez na televisão portuguesa muitos artistas e autores, sendo míticas as entrevistas a Almeida Negreiros ou a Caetano Veloso e Gilberto Gil (Agosto de 1969) mas onde a principal atracção eram mesmo as rábulas do próprio Solnado (como é saboroso ainda vê-lo como adepto do FCP no "Homem do Emblema"). Muitas delas foram posteriormente editados em vinil pela editora Zip Zip então criada e destes pedaços de história destaca-se o EP que hoje aqui trazemos em Dia da Liberdade. Como Ludgero Clodoaldo, um baladeiro muito em voga na época e que nos é apresentado na contra-capa do disco de forma satírica, Solnado faz, nas barbas da PIDE, algumas críticas directas ao regime de então em pequenos temas como "A Linha Não Alinha", "O Mundo é Muito Mauzinho" e o frontal "Senhor Estou Farto" escrito pelo próprio. Todos receberam a composição do magistral Fernando Alvim, guitarrista e instrumentista português de prestigiada fama e constituem ainda hoje um grande momento de televisão e um exemplo notável de inquietação e resistência.

domingo, 23 de abril de 2017

EMMA RUTH RUNDLE, Understage, Teatro Rivoli, Porto, 21 de Abril de 2017

Serão precisas poucas palavras para descrever a estreia esgotada de Emma Ruth Rundle na cidade do Porto. Com diversas circunstâncias alinhadas de forma natural, sem artifícios ou truques, o resultado atingiu uma aura de perfeição que envolveu e aconchegou público e artista em momentos de intensidade única e mesmo emotiva. Longe de ser o palco ideal, o espaço subterrâneo do Rivoli revelou-se um filtro à medida das grandes canções que o segundo disco de originais contempla e donde Rundle retirou quase todo o curto mas notável alinhamento. E assim, para fazer história, bastaram quarenta minutos difíceis de apagar da memória e que projectam Rundle para um nível que se adivinha de consagração suprema. Sublime!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

THE WAR ON DRUGS, REGRESSO SURPRESA!

Aproveitando o Record Store Day de amanhã, celebra-se o regresso dos The War On Drugs aos discos com um 12" de vinil que será impresso 5500 vezes e que funciona como primeiro single de um álbum a gravar para a Atlantic Records. A rodela contempla o tema "Thinking Of A Place" nos dois lados já que ele se alonga magistralmente em 45 rotações ao longo de onze minutos escorregadios... És grande, Granduciel!


UAUU #381

quinta-feira, 20 de abril de 2017

ANO INTERNACIONAL DA SARA?

O nome Sara em canção é para nós sinónimo obrigatório de Fleetwood Mac ou Thin Lizzy, embora a grelha televisiva em lume forte dos anos oitenta nos tenha massacrado com uma outra versão. O Tiago Bettencourt fez bem melhor! Coincidência ou não, o corrente ano tem para já uma outra série de temas onde o mesmo nome é fonte de inspiração e que acreditamos nada tem a ver com um infantil e, ao que parece, bem sucedido "Mundo da Sara". Pode ser, claro, um sarcástico pedaço ao jeito de Mark Kozelek chamado "Sarah Lawrence College Song" ou uma tripla e saborosa receita como a de baixo. Benditas sejam!





RECORD STORE PRAY!

É já este sábado, dia 22 de Abril, que acontece mais uma edição Record Store Day, evento hoje planetário e nitidamente fora de controle em relação ao suposto espírito original... Mesmo assim, são estas algumas das nossas "preces"!









   

sexta-feira, 14 de abril de 2017

RYLEY WALKER, GNRation, Braga, 13 de Abril de 2017

A passagem de Ryley Walker por Paredes de Coura o ano passado talvez possa servir de explicação para a casa cheia de ontem em Braga, confirmando que a música ao vivo é ainda melhor forma dos artistas fazerem vingar as suas canções e darem a conhecer o seu trabalho. No caso de Walker a tarefa está facilitada por duas e inseparáveis razões: simpatia e boa disposição em doses certas - de referir que Walker teve sempre boas respostas e desafios por parte da plateia - e uma enorme qualidade de um reportório já credenciado, testado e aclamado. A dádiva, em véspera de feriado religioso a fervilhar nas imediações, prolongou-se por mais de noventa minutos de canções, muitas delas esticadas de forma quase irreconhecível em versão instrumental e onde a bateria se destacou pelo arrojo de recursos e sonoridades. Mas foi a voz, aquela voz, que se fez sempre notar particularmente quando, de regresso ao palco, fez soar Tim Hardin e, mesmo que a pedido da plateia, o maravilhoso "The Great and Undecided", tema obrigatório do último de originais e que teria sido um sacrilégio não ter feito parte do cerimonial. Uma noite intensa, brilhante e a merecer um brinde colectivo com muita Super Bock... fresquinha!  



JEFF TWEEDY NA INTIMIDADE!





















Anuncia-se para Junho um álbum inteiro de canções de Jeff Tweedy à guitarra, a maioria delas do catálogo dos próprios Wilco e a que se poderão chamar clássicos. Há ainda algumas raridades dos tempos dos Loose Fur e Golden Smog, bandas onde Tweedy colaborou activamente. O tesouro tem o título de "Together At Last" e começa a destapar-se com este maravilhoso "Laminated Cat", tema dos Loose Fur de 2003.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

ROCKY RACOON #13





















Aproxima-se a passos largos a edição brutal que assinala os cinquenta anos do álbum "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" dos The Beatles, uma excepção autorizado pela própria Apple já que o mítico disco nunca foi alvo de qualquer versão luxuosa. Aproveitando a onda, a galeria londrina Snap tem já disponíveis para venda uma série de imagens da autoria do fotógrafo francês Jean-Marie Perier obtidas durante as sessões de gravação em Abbey Road. Inicialmente e com um limitado tempo disponível para o registo, Perier tentou que o momento se tornasse inolvidável para os próprios Fab Four e, sendo assim, distribuiu entre eles cigarros e isqueiros que mandou acender no tempo certo para um efeito inspirador de uma mítica fotografia posteriormente usada na capa do single "Strawberry Fields Forever/Penny Lane". O convite para outras sessões acabou naturalmente por acontecer e, montando um estúdio improvisado no local ao longo de uma semana, o francês lá foi fazendo história que agora pode ser obtida em número e tamanho limitado e assinado mas com preços só mesmo para coleccionadores insanos - aproximadamente 2500, 5000 e 12000 libras esterlinas dependendo do formato e da disponibilidade (entre 5 e 15 exemplares de cada uma)! Valha-nos o melhor, a música!



UAUU #380

COISAS DISPERSAS DO NICK DRAKE...

Não temos a certeza se esta é a primeira referência explícita a Nick Drake numa lírica de uma canção portuguesa, mas que sabe bem disso não temos dúvidas!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

AGNES OBEL, SESSÃO LONDRINA

Enquanto a decisão não está tomada, isto é, rumar ou não a Lisboa no dia 25 de Junho para um concerto ao que parece único de Agnes Obel por cá, aqui fica mais uma sessão ao vivo exclusiva a que a dinamarquesa nos foi habituando e que inclui uma notável versão de "You're Lost Little Girl" dos The Doors!

3X20 ABRIL













quinta-feira, 6 de abril de 2017

BLONDE REDHEAD, BELEZA IRRESISTÍVEL!













Já lá vão quase dez anos desde que vimos os Blonde Redhead a dar cartas na primeira parte de um concerto dos Interpol num lotado Coliseu dos Recreios. Fomos sempre acompanhando as movimentações do trio americano seduzidos pela voz e trejeitos da japonesa Kazu Makino, figura enigmática que se esconde entre os gémeos Amedeo e Simone Pacer, eles próprios uma dupla recatada. O ano passado ficou marcado pela apresentação ao vivo da totalidade do emblemático disco de 2004 "Misery Is a Butterfly" acompanhado em diversas ocasiões por um quarteto ou ensemble de cordas, opção que vincava o carácter cinemático de um registo marcado na altura pelo acidente de cavalo de Makino e que quase lhe tirava a vida. Talvez inspirados por essa quietude, a banda editou já este um ano um simples disco de quatro temas denominado "3 O'Clock EP" que é absolutamente irresistível e cujas canções não podem ser escutadas separadamente sob pena de ofensa penalizadora. Assim sendo, aqui fica a deslumbrante sequência... obrigatória!