quarta-feira, 11 de outubro de 2017

NICK GARRIE, CELEBREMOS!





















Os sinais dados nos últimos tempos têm agora confirmação - há um novo álbum de Nick Garrie chamado "The Moon & The Village" a sair em Novembro na Tapete Records, casa com sede na Alemanha e um exemplar melting pot artístico. O disco está, em partes pequenas, disponível para fruição aqui abaixo e nele estão incluídas pelo menos duas canções que o artista tinha feito sair em anos transactos - é o caso de "My Dear One" e "Got You In My Mind" - tendo ficado de fora uma outra entretanto registada de nome "Lone Ranger In The Sky". Ainda a suspirar com o excelente concerto que Garrie trouxe até aos Maus Hábitos em 2014, fica a nota da sua próxima passagem a 2 de Novembro pela cidade de Vic na agora tão badalada Catalunha, um regresso a Espanha depois de ter dado um concerto para alguns sortudos nas Grutas de San Josep (Castellón) em Julho. É o que se pode chamar a verdadeira Nick cave...


UAUU #398

terça-feira, 10 de outubro de 2017

11 ANOS DE TOQUES!
















A aventura que constitui este blog faz hoje onze anos!
Quatro mil cento e quarenta e um posts depois, cá vamos arrastando, com gosto, a carroça... Abraço!

UM SÓ KISS!





















O duo californiano Kisses pode passar despercebido, mas aqui na casa sente-se há muito a sua falta. O último discos de originais já têm três anos e o gostoso sabor de bombons sonoros com este recheio ou ainda este, aumenta a salivação e consequente saudade. Mas a espera parece, em parte, ter terminado. O vocalista e principal mentor Jesse Kivel, sem sabermos sequer se a banda é coisa do passado ou se está em pousio criativo, avançou para um EP a solo a que chamou "Content" e que, segundo o próprio, aborda a lado errado de ter trinta anos (!) numa homenagem cruzada a Donald Fegan e Bob James (!!). O melhor é ouvir.




segunda-feira, 9 de outubro de 2017

PVC - PORTO VINIL CIRCUITO #20





















Em plena Rua de Santa Catarina, mesmo em frente ao Café Majestic, abriu em 1956 a Arnaldo Trindade e Cª Lda, casa onde se misturava, na altura e como era tradição, a venda de electrodomésticos e discos das principais editoras europeias e até da mítica Motown americana. Mas o empresário que deu nome à empresa, nascido em pleno Bonfim, tinha outros sonhos para o negócio - a produção musical e um selo próprio que agregasse artistas nacionais e assim, desde cedo, a Orfeu haveria de fazer história no panorama da edição em Portugal. A lendária editora teve este ano direito a uma excelente exposição retrospectiva que decorreu até ao início de Setembro na Casa do Design em Matosinhos e onde, para além do destaque óbvio aos muitos artistas que por lá registaram as suas composições, foram homenageados uma série de designers ou fotógrafos que contribuíram para a afirmação e consistência do selo da Orfeu visível nas capas dos muitos discos editados. Pena que da mostra não tenha resultado um catálogo notoriamente obrigatório... O envelope que acima reproduzimos talvez tenha o dedo de algum desses "gráficos" saídos da Faculdade de Belas Artes da cidade, concebido a pedido do empresário visionário em plenos finais dos anos cinquenta já que o disquinho que estava lá dentro quando o adquirimos esquecido numa loja de amontoados diversos em plena Rua do Almada data precisamente de 1959 e é um raro EP de Carl Dobkins Jr. onde estão pérolas do rockabilly como "Lucky Devil" ou "Class Ring"! O lindo prédio é hoje ocupado ao nível da rua por mais uma seta avançada do império espanhol Inditex com uma solução moderna de recuperação, no mínimo, questionável, mas, pelo menos, o restante edificado apresenta-se vistoso e com uma brancura luminosa que contrasta com a negritude de muitos dos prédios vizinhos. O local, onde a Orfeu se manteve aparentemente até 1983, mereceria, por tudo isto, mais atenção patrimonial e talvez um dia alguém se lembre de lá afixar uma placa evocativa que prestigie uma história mítica e, principalmente, faça justiça eterna ao seu promotor e mentor Arnaldo Trindade!     

Arnaldo Trindade & C.ª. L.da, Rua Santa Catarina, 117, Porto 

Arnaldo Trindade & C.ª. L.da, Rua Santa Catarina, 117, Porto 


sábado, 7 de outubro de 2017

PHENOMENAL HANDCLAP BAND, FENOMENAL!





















Já lá vai tanto tempo que, muito sinceramente, tínhamos os Phenomenal Handclap Band dados como extintos! O colectivo americano, que em 2010 fez furor numa noite quente de verão em pleno relvado do C.C. Vila Flor em Guimarães, regressa, aparentemente, em formato duo: faz-se notar a presença de um dos seus principais impulsionadores, o luso-ascendente Daniel Collás (lembram-se de uma trip maravilhosa chamada "The Journey To Serra da Estrela"?), acompanhado de nova (?) parceira tal como surgem no facebook oficial. Por aí anunciaram a saída de um single de dois temas sob alçada da Daptone Records e que é um primeiro avanço de um álbum sustentado numa campanha de apoio público concluída com êxito. Mantêm-se uma sonoridade ecléctica numa mistura sedutora de soul, funk e psicadelismo que absorve influências sem limites como fazem questão de continuar a mostrar num blog cheio de surpresas. Fenomenal!



quarta-feira, 4 de outubro de 2017

DUETOS IMPROVÁVEIS #203

FIONN REGAN & THE STAVES
Euphoria (Regan)
Michelberger Music/Hotel, Hallway, Funkhaus, Berlin
Outubro de 2016

terça-feira, 3 de outubro de 2017

KOMMODE, MÚSICA À MODA ANTIGA!





















Entre a torrente de música nova do pós-férias vai-nos escapando aqui e acolá um disco ou artista que mereceria uma outra atenção e detalhe. Aconteceu no passado, vai continuar a repetir-se no futuro e não há nada como dar pela lacuna ainda a tempo de se fazer justiça. É o caso notável do disco "Analog Dance Music" dos noruegueses Kommode, ou seja, Erik Boe, o rapaz bem comportado que com Erland Oye forma os Kings of Convenience. O projecto paralelo, que fez há mais de uma década as primeiras partes dos Whitest Boy Alive (o outro grupo do próprio Oye) em alguns concertos, regressou em Agosto com um segundo disco irresistível. Optimismo q.b., canções solarengas imaginadas no conforto do lar com instrumentos verdadeiros e que horas em estúdio transformam, milagrosamente e sem truques, em música polida à moda antiga. Como dizia a canção, "let your hips do the talking"... simplesmente!   




UAUU #397

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

CÍCERO VIRA CAETANO!

O canal Bis do Brasil, uma plataforma por cabo de temática exclusivamente musical, dedica uma emissão semanal às versões onde artistas brasileiros são convidados a fazer a sua interpretação de clássicos da música em jeito de homenagem. Um dos últimos a ser chamado foi o jovem Cícero que, sem contemplações, se lançou a três originais de Caetano Veloso - a saber, "Baby", "Oração ao Tempo" e "Livros" - e cujo resultado é brilhante. A rendição pode ser escutada por aqui. Para matar outras saudades e enquanto não chega o disco novo, deixamos o video de "Terminal Alvorada" registado por terras lusas aquando da digressão do ano passado.

MATT JOHNSON, DA INÉRCIA AO PALCO!





















A reclusão criativa escolhida por Matt Johnson, o mítico líder dos The The, parece ter chegado ao fim. Afastado por iniciativa própria da composição de novas canções, foi preciso um desafio da amiga sueca Johanna St Michaels para o despertar e agitar e, assim, no âmbito da realização de um documentário artístico, gravou um novo tema de nome "We Can't Stop What's Coming" com direito a single de vinil aquando do Record Store Day de Abril passado. Quanto ao filme "The Inertia Variations", teve já apresentações exclusivas em festivais de Gotemburgo e Edimburgo e tem novas projecções marcadas este mês em solo inglês. O documento examina a sua relação difícil com a celebridade e o insucesso, o mundo e o negócio da música ou até a política centrados no programa de rádio "Radio Cineola" lançado em 2010, um mordaz retrato da sociedade contemporânea mas também da sua intimidade emotiva. Caía bem no próximo Porto/Post/Doc...




Entretanto, aproveitando as colaborações trazidas ao referido programa e as temáticas apresentadas, irá ser lançada uma tripla colectânea com edição em vinil onde se resumem algumas das emissões e com um disco de canções exclusivas. Nomes como Thomas Feiner (de que se pode ouvir abaixo um apetitoso cheirinho no trailer), Elysian Fields ou Anna Domino reinterpretam alguns dos clássicos temas dos The The mas a oportunidade contempla outras sonoridades como a spoken word, paisagens sonoras, comentários políticos e até poesia, numa triologia onde a voz forte e cinematográfica de Johnson se faz notar vigorosamente. As encomendas podem ser feitas a partir da próxima sexta-feira tendo Matt Johnson aproveitado para anunciar, finalmente, o regresso aos concertos já para de 2018 com espectáculos agendados em Junho num festival dinamarquês e três apresentações em salas londrinas, a Brixton Academy, o Royal Albert All e o Troxy. Dezasseis anos depois (o último espectáculo da banda tinha sido no Meltdown Festival de Londres em Junho de 2002 e que teve curadoria de David Bowie) e quase trinta sobre a passagem mítica pelo demolido Pavilhão das Antas, os The The vão voltar a subir aos palcos. Um sorriso incerto?   



quinta-feira, 28 de setembro de 2017

TOPS, É NO TOPO!





















Os canadianos TOPS não sabem o que são más canções. Em três discos há muitas a que poderíamos colar a etiqueta "pop perfeita" incluindo, claro está, as que fazem parte do álbum deste ano "Sugar At The Gate" e onde se faz notar ainda mais a voz da belíssima Jane Perry. Pois bem, a oportunidade de confirmar presencialmente a maravilha chegará dia 3 de Novembro ao topo do edifício dos Maus Hábitos da Rua Passos Manuel, evento que contará com uma primeira parte a cargo de Jackson Macintosh, guitarrista polifacetado e membro dos próprios TOPS. Escusado será dizer que vai ser top! 





quarta-feira, 27 de setembro de 2017

ALDOUS HARDING, EXALTEMOS!

Do disco "Party" de Aldous Harding, um misterioso e fabuloso emaranhado de beleza que John Paris ajudou a cintilar, há agora a edição oficial de uma canção que ficou de fora de tamanho conjunto e que tinha sido já notada em algumas sessões de rádio. Chama-se "Elation" e é simplesmente deslumbrante! 

SIVU, O SOM DO SILÊNCIO!





















O disco "Sweet Sweet Silent", o segundo do jovem britânico Sivu, anda por estes dias a servir-nos de berço, espantando de imediato qualquer sinal sombrio. James Page, assim se chama o prodígio, apresenta-se desta vez com um assustador grau de intimidade muito por culpa da doença que enfrenta - sabemos bem o que é isso do síndroma de Meniére - problema auditivo que se reflecte incondicionalmente nas novas canções e atitudes. Para os mais distraídos relembra-se que Sivu fará parte da edição deste ano do Misty Fest com concertos duplos marcados ao lado de Benjamin Francis Leftwich para Braga (Theatro Circo, 5 de Novembro) e Aveiro (Teatro Aveirense, 7 de Novembro). Aqui ficam algumas pérolas, nomeadamente "Wonder In Me", uma das nossas perdições!





sábado, 23 de setembro de 2017

CHARLES BRADLEY (1948-2017)















Esta seria uma notícia previsível mas, como sempre, custa a engolir... Charles Bradley deixou-nos no dia de hoje, o último de uma luta que todos desejávamos vencedora. Resta-nos a vénia, o agradecimento pelos momentos memoráveis e o carinho eterno. Peace

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

ANGEL OLSEN, SÃO FASES!

Pode uma carreira de meia dúzia de anos e três discos dar direito à edição de uma colectânea de raridades? No caso de Angel Olsen a resposta é mais que afirmativa já que canções de qualidade nunca são demais nem suficientes para parafinar os ouvidos e acalmar a mente. Sendo assim, é já dia 10 de Novembro que a JagJaguar publica "Phases", álbum onde cabem muitas destas preciosidades e inéditos que, por alguma razão, não se mostraram na montra principal da "loja" mas que todos queremos descobrir no seu interior mesmo antes do Natal. Nada como começar por aqui...




quarta-feira, 20 de setembro de 2017

LOST HORIZONS, HAJA FÉ!





















Os Lost Horizons, uma parceria anunciada em Julho entre Simon Raymonde (Cocteau Twins) e Richie Thomas (Dif Juz), tem vindo aos poucos a desvendar o disco "Ojalá" gravado com uma série de amigos e convidados. Ao primeiro e inebriante avanço "The Places We've Been" com a maravilhosa voz de Karen Peris dos The Innocence Mission juntam-se, para já, mais três pérolas que fazem adivinhar uma concentração sumarenta de canções: "Frenzy Fear" onde aparece o jovem britânico Hilang Child, "She Led Me Away" com Tim Smith dos Midlake a dar cartas e "Bones" com a participação poderosa de Beth Canon. Uma série de concertos na Europa está já marcada estando assegurada a contribuição de alguns destes vozeirões. O disco sai, finalmente, em Novembro!








CIRCUIT DES YEUX, DELÍCIA RECHEADA!





















A menina Haley Fohr não é propriamente uma desconhecida. Sob o nome de Circuit de Yeux já por cá andou a apresentar a sua música diversas vezes, a última das quais em Ponta Delgada no Festival Tremor de Abril passado, mas também esteve na primeira parte dos concertos de Bill Callahan em 2014 e em nome próprio, no ano seguinte, por Lisboa e Guimarães. Na oportunidade que tivemos de a ouvir à guitarra, precisamente abrindo para o ex-Smog na Casa da Música, surpreendeu-nos a sua voz mas, acima de tudo, uma composição maleável de originais nada convencional que joga numa estranheza deliciosa de variações e subtilezas que Tim Buckley certamente aprovaria e que a malograda Nico não desdenharia experimentar. Ao ouvir dois dos novos temas que Fohr escreveu para o álbum "Reaching For Indigo" a sair pela Merge Records no dia 20 de Outubro, percebe-se que essa talentosa capacidade de ultrapassar as regras resulta agora numa sonoridade épica e adesiva já muito distante dos simples acordes de uma guitarra e que ganha em "Black Fly", por exemplo, um momento incomparável e meditativo que demorou anos (e pessoas, como confessado) a terminar. Nota ainda para o excelente clip para "Paper Bag", preparado pela amiga Meg Remy das U.S. Girls. Certamente, uma das grandes delícias recheadas deste ano!




terça-feira, 19 de setembro de 2017

LEONARD COHEN, SAUDADE!





















Passaram mais de dez meses sobre a morte de Leonard Cohen e, na velocidade do dia-a-dia, acabamos sempre por não dar pela sua falta. Até que... A saudade bateu forte com o lançamento no dia de hoje de um video oficial para uma das sua grandes e últimas canções chamada "Leaving The Table" que faz parte do álbum "You Want It Darker" lançado logo após a sua triste partida. Um profético e corajoso testemunho sobre a morte, melhor, sobre como deixar este mundo pairando e dançando sobre todos nós. Prometido pela família está um concerto tributo agendado para o dia 4 de Novembro em Montreal e onde se anunciam as vénias de, entre outros, Elvis Costello, Feist, K.D. Lang ou Patrick Watson e onde seria um sacrilégio, dizemos nós, não comparecer o Rufus Wainwright para cantar o "Hallelujah".        


HOPE SANDOVAL, VELUDO SUBLIME!

Dura há já largos anos (desde 1988) um encantamento arrepiante sempre que Hope Sandoval decide derramar uma porção de veludo em qualquer canção onde pousa a sua voz. Nos Mazzy Star ou, mais recentemente, com os Warm Inventions, são muitos os exemplos desse feitiço que ganhou o ano passado um aliado chamado Kurt Vile em "Let Me Get There", elevando o dueto ao estado perfeito. Mas quando hoje escutamos a versão acústica do mesmo tema que está incluída num novo EP e que, de forma não oficial, deve ser escutada de imediato e sem qualquer interrupção, porra, lá se foi a preferência antiga e a tal perfeição... mesmo sem o parceiro, isto é ainda mais sublime! O disco, com edição em 10" de vinil através da própria editora Tendril Tales, inclui dois temas inéditos ("Sleep" e o tema título "Son Of a Lady") e já se encontra em venda online.




segunda-feira, 18 de setembro de 2017

UAUU #395

STAPLES E TWEEDY, PARCERIA INFALÍVEL!





















A aparente incongruência artística entre Mavis Staples e Jeff Tweedy irá ter mais uma prova inequívoca de validade com a edição do disco "If All I Was Was Black" em Novembro (há uma versão autografada já em pré-venda). Staples, a senhora do gospel e do soul com raízes mais que vincadas na tradição americana, alia-se novamente a Tweedy, o senhor da country e rock alternativo que consagrou os Wilco, repetindo uma colaboração antiga e frutífera que alcança agora um terceiro disco para o qual Tweedy escreveu onze temas, três deles em co-autoria. Há até um dueto prometido numa dessas canções ("Ain't No Doubt About It") sendo as líricas uma responsabilidade partilhada que reflecte os problemas raciais e sócio-políticos que a América enfrenta nos nossos dias e que, infelizmente, se repetem mais frequentemente. Aqui fica um primeiro e grande exemplo.      


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

JAY-JAY JOHANSON, TRÉGUA AO PIANO!














É hoje oficialmente lançado o disco "Bury The Hatchet" de Jay-Jay Johanson já por aqui anunciado e cujos treze temas estão disponíveis em pré-escuta. Há pedacinhos excelentes conhecidos - por exemplo, o aveludado "You'll Miss Me When I'm Gone" estava já no EP saído em Março - mas o disco embalador confirma um estado de forma superlativo em que o piano é mesmo a pedra de toque da viagem como se pode confirmar no tema título lançado como single no início do mês e que recebeu a primazia de um excelente video. Johanson estará em digressão nacional no próximo mês chegando a Braga e à esplendorosa sala do Theatro Circo no dia 14 de Outubro, sábado, uma oportunidade dourada para celebrar o 20º aniversário do álbum "Whiskey" e, pacificamente, escutar as novas canções.
Entretanto e numa colaboração sueca iniciada num encontro ocasional num bar moscovita, descobre-se um novo tema do álbum de Loney Dear também prontinho a levantar o pano. "Lilies", assim se chama a canção, recebeu a voz de Johanson no segundo coro e também a contribuição de S Carey, um ex-baterista de Bon Iver já com uma interessante carreira a solo. Prometedor! 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

DESTROYER, COMO RESISTIR?





















Os canadianos Destroyer são, para além de um exemplo de longevidade artística, um paraíso sonoro de difícil comparação ou semelhança. A cada disco, a mestria de Dan Bejar e aquele trompete a preceito e que só funciona mesmo neste contexto, fertilizam ainda mais uma colheita harmoniosa que se quer sempre vibrante. É o caso dos dois temas para já conhecidos do décimo segundo disco a sair pela Merge Records em Outubro e que foi simplesmente baptizado de "Ken" - Bejar explica o epíteto como uma referência obscura ao primeiro título do tema "The Wild Ones" dos Suede apesar de ter confessado que a banda inglesa nada tem a ver com o disco... Os Destroyer regressam a Portugal já a 24 de Novembro para o Mexefest alfacinha e, atendendo ao que se pode ouvir abaixo, a noite vai ser certamente irresistível.




quarta-feira, 13 de setembro de 2017

KING KRULE, O REI ESTÁ DE VOLTA!





















Há coisas que queremos e desejamos que nunca mudem apesar de Camões há muito ter sentenciado que "todo o mundo é composto de mudança tomando sempre novas qualidades"... No caso de Archy Marshall aka King Krule, a cara de miúdo tornou-se imutável mas a sua música, essa, lá está, parece incorporar novas dimensões qualitativas e visivelmente surpreendentes nos arranjos e nas trajectórias. Longe vão os tempos de arranque como testemunhamos in loco ali a meio da Rua Passos Manuel da Invicta e os passos de uma carreira maturada e cimentada ganham agora contornos de gigantismo com o álbum "The OOZ" a sair pela XL Recordings em meados de Outubro. As amostras em video complementam canções notáveis de talento e subtileza, dois exemplos que a editora juntou num 7" de vinil já disponível e apetecível e que antecipa uma digressão em nome próprio que talvez (suspiro!) acabe por chegar a uma sala por perto, prolongando o encantamento conseguido no anfiteatro de Coura no mês passado. Repetindo a dose de 2013, Krule aparece ainda ao lado dos amigos Mount Kimbie no novo álbum do duo inglês "Love What Survive" emprestando a sua inconfundível voz no tema "Blue Train Lines", mais um grande momento para o livro das condecorações!






terça-feira, 12 de setembro de 2017

LALI PUNA, REGRESSO EM PLENO!





















Já lá vão muitos anos (2002!) desde que o disco "Scary World Theory" dos alemães Lali Puna nos chegou aos ouvidos. A benção teve uma celebração suada numa noite longa em plena sala de dança do saudoso bar Triplex nos anos seguintes (2004 ou 2005?) e passamos obrigatoriamente a traçar o rasto à menina Valerie Trebeljahr, mentora de tão eficaz receita. Electrónica levezinha, electro-pop como se chamava na época, excelente para dançar e curtir sem sobressaltos que tinha em Markus Archer, um dos irmãos dos The Notwist, uma parceria cúmplice. Só é pena que o tal rasto se perca muito facilmente em tão poucos discos - "Faking the Books" de 2004 e "Our Inventions" de 2010 - e, por isso, a aparição ao fim de sete anos é mesmo de saudar! O regresso aos álbuns faz-se este mês com "Two Windows" onde colaboram, entre outros, Dntel e Mary Lattimore e onde Valerie assume as despesas da composição e a separação definitiva do amigo Archer. A produção repete o nome de Mario Thaler que tinha já trabalhado nos anteriores discos e há, para já, dois singles lançados, um deles uma surpreendente e irresistível versão de "The Bucket" dos Kings of Leon!



segunda-feira, 11 de setembro de 2017

UAUU #394

3X20 SETEMBRO













NATALIE MERCHANT, EFEITO BORBOLETA!





















Havia em todos os discos dos 10 000 Maniacs um segredo escondido. Quando apareceram nos anos oitenta, era impossível ficar indiferente à voz de Natalie Merchant que percorria as canções e a sua vinda ao Pavilhão Infante Sagres em 1988 (1989?) para um concerto, sugeria, na altura, um milagre! Só que a fraca adesão de público e as condições técnicas do recinto deitaram por terra toda a subtileza da música e, desde aí, temos pela banda um ténue sensação de pena e distância. Contudo, fomos sempre capazes de separar o trigo do joio e a carreira a solo de Merchant dos últimos anos é o perfeito exemplo de uma reinvenção artística notável que culminou em Junho com a edição de uma colectânea retrospectiva de dez discos que a Nonesuch teve a coragem de pôr cá fora. Incluídos estão todos os discos a solo e uma imensidão de raridades e preciosidades, havendo entre eles um verdadeiro achado chamado "Butterfly", surpreendente álbum de estúdio preparado para um quarteto de cordas onde Merchant reinterpreta algumas das suas canções e apresenta ainda uma série de inéditos de forma magistral e mais que prontos para "bater as asas"...



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

MY BRIGHTEST DIAMOND CINTILANTE!

O projecto Amazon Acoustics não é, certamente, inovador mas a simplicidade do processo continua plena de eficácia - registam-se em exclusivo versões acústicas de temas originais ou versões para venda online, um conjunto que alcança já mais de três horas de música entre sessenta artistas aderentes. Uma das últimas a integrar a selecção foi Shara Nova/My Brightest Diamond que, enquanto regista o álbum sucessor de "This Is My Hand" de 2014, teve tempo para escrever "Wish for The Moon", uma canção de amor numa guitarra acústica que se revela uma balada de impressionante contorno clássico e sedutor. Cintilante!  

WEYES BLOOD, SÃO VERSÕES SENHORES!


A menina Natalie Mering aka Weyes Blood já nos habituou a magníficas versões nos seus concertos - no nosso caso, caímos para o lado com "A Certain Kind" dos Soft Machine em Guimarães e com um arrepiante "Vitamin C" dos Can no último Primavera Sound - um hábito salutar, arrojado até tendo em conta alguma complexidade dos temas. Através da Mexican Summer, há agora um imperdível 7" de vinil onde se depositam duas destas pérolas, a saber, "Everybody's Talking" numa homenagem a Fred Neil numa canção imortalizada por Harry Nilsson e a referida cover de "A Certain Kind" dos Soft Machine. A prática e aparente registo destes temas realizou-se aquando da residência que Mering desenvolveu na Galeria Zé dos Bois lisboeta precisamente em Dezembro passado. Magnífico!



terça-feira, 5 de setembro de 2017

KELLEY STOLTZ, QUE AURA!

Temos pelo desenfreado Kelley Stoltz uma paixoneta musical incontornável que se adensa a cada disco novo. Há agora mais um de nome "Que Aura" lançado recentemente e cujo registo, juntamente com mais três (!), procedeu uma perninha surpreendente como guitarrista-ritmo nos Echo & The Bunnyman na última digressão que chegou a Vilar de Mouros em Agosto do ano passado (há videos que comprovam a sua presença por lá ao lado dos seus confessados heróis). Entre os originais do referido álbum novo, para além de um tema chamado "Tranquilo" e do primeiro single "Same Pattern", andamos já colados a uma canção soeighties de balanço irresistível! "Empty Kicks", pois então...      




NELS CLINE BEM ACOMPANHADO EM GUIMARÃES!
















Faz agora um ano que Nels Cline, o virtuoso guitarrista dos Wilco, cumpriu um desígnio antigo ao editar pela mítica Blue Note um projecto instrumental com uma hora e meia de duração a que chamou "Lovers". Entre composições próprias e versões de alguns standards e originais de gente tão diversa como Arto Lindsay ou Annette Peacock, a ideia sonora vagueia pela sempre apelativa temática do amor e do romance adequadamente orquestrada - que alguém etiquetou de mood music - e onde o gosto pelo jazz e também pela improvisação são meio caminho andado para a sedução. Pois bem, a experiência vai ser apresentada já em Novembro (dia 8) na abertura da 26ª edição do Festival de Jazz de Guimarães e na qual Cline terá a companhia da orquestra da cidade, momento que marca também a celebração dos cem anos da primeira edição discográfica de jazz, aniversário que se entranha no restante e eclético programa do festival. Já há bilhetes!



quinta-feira, 3 de agosto de 2017

3X20 AGOSTO













ALEX CAMERON, A SEGUNDA VEZ!





















Aquando do memorável concerto do ano passado no Café Au Lait portuense, Alex Cameron confessou-nos durante o autógrafo obrigatório que o segundo disco estava já gravado e misturado e que sairia pela Secretly Canadian ainda em 2017. Claro que não será fácil suplantar "Jumpink The Shark", a estreia (ok, a reedição) em cheio pela mesma editora mas os sinais que agora começam a ser conhecidos de "Forced Witness" parecem ser animadores - um fresquinho dueto com Angel Olsen em "Stranger's Kiss" e "Candy May", o primeiro single já obrigatório na nossa extensa lista de verão. O artista e, certamente, o seu amigo saxofonista Roy, estarão pelo palco mais pequeno de Paredes de Coura a 19 de Agosto, último dia do festival.



quarta-feira, 26 de julho de 2017

CARLA BRUNI, HUMMMMM!





















E ao quinto álbum a italo-francesa Carla Bruni rende-se a clássicos pop e mainstream em inglês mas com um inconfundível "French Touch", nome propositadamente escolhido para dar nome à colecção. O primeiro single "Enjoy the Silence" dos Depeche Mode não está mal, o segundo, "Miss You" dos Stones em toada latina, parece irresistível e entre as restantes nove versões contam-se "Perfect Day" de Lou Reed, "The Winner Takes It All" dos Abba, "Crazy" de e com a ajuda de Willie Nelson e, pasma-se, "Highway to Hell" dos AC/DC! O disco foi produzido por David Foster, chairman da Verve Records que edita o disco em Outubro. Aqui ficam os videos disponíveis com assinatura de Fabienne Berthaud e Jean Baptiste Mondino, respectivamente...



UAUU #392

terça-feira, 25 de julho de 2017

MANTA ESTENDIDA PARA LYDIA AINSWORTH!

A décima primeira edição (xiii!) do Festival Manta no Centro Cultural Vila Flor em Guimarães tem já data marcada! Para ouvir sentadinhos na relva há este ano Noiserv e a canadiana Lydia Ainsworth em formato trio a 1 de Setembro, sexta-feira, e no dia seguinte, sábado, teremos Lula Pena e Dead Combo, também em versão inédita a três com a inclusão do baterista Alexandre Frazão. Como sempre, entrada gratuita!


TUXEDO DE SECRETÁRIA!

YUSSEF DAYES+DUQUESA & CAVE STORY & RA-FA-EL+GRAVEYARD+JANKA NABAY & THE BUBU GANG, Milhões de Festa, Barcelos, 22 de Julho de 2017

Já lá vão dez anos desde que o Milhões de Festa de Barcelos começou a "derreter fronteiras". Impunha-se, assim, uma investida ao festival mais alternativo do país num dia onde o alinhamento parecia confirmar tal liquidez sonora a começar na razão principal da viagem - Yussef Dayes, jovem prodígio inglês que gravou com Kamaal Williams um grande disco negro de soul ou jazz funk. Veio sozinho, ou seja, a parceria é já passado mas a ajuda de um teclista e de um guitarrista/baixista permitiu confirmar todos os atributos e elogios numa hora em jeito de lição de bateria e a renovação saborosa de uma sonoridade sempre moderna.  



Sem surpresa, a brigada nacional em cima do palco não desiludiu. Há muita qualidade na construção de canções de Duquesa, Cave Story e ajuda de Ra-Fa-El, todos juntos, todos motivados em surpreender e arriscar misturas, reinterpretações ou alongamentos de temas alheios ou em nome próprio que se mostraram eficazes e até arrebatadores. Excelente e (mais) uma prova que a moderna música portuguesa é mesmo um caso sério de talento e diversidade!



Quanto aos suecos Graveyard, que tiveram o condão de juntar uma multidão em frente ao palco principal para ouvir hard rock sujo, ainda não entendemos as razões dos elogios. Um conjunto de trejeitos à Led Zepplin, seja a voz, sejam os solos de guitarra, são um insulto aos próprios Zepplin e o efeito esfumou-se sem fazer fogo numa sequência enfadonha de clishés e previsibilidades. Uma chatice...





Festa, melhor, o início da verdadeira festa de acordo com o estranho fuso horário do Milhões, só começou perto das duas da manhã. Da Serra Leoa veio Janka Nabay acompanhado por um trio de músicos naturais da Síria, Itália ou Havai que se juntam em Brooklyn para fazer Bubu Music, uma etnia musical que se entranha sem contemplações. A eficácia rapidamente foi notada anfiteatro acima numa agitação desinibida e imparável para a qual o festival está há muito vacinado e, seja como for, vocacionado. Foi sempre a "derreter"!    



terça-feira, 18 de julho de 2017

SHARON VAN ETTEN, PARCERIAS COMPATÍVEIS!

Entre rumores de um novo álbum para o próximo ano e consequente digressão, Sharon Van Etten tenta encontrar os desafios certos para a sua carreira sem desalinhar nas companhias. Assim e para além da colaboração já anunciada com os Lost Horizons, há ainda estas parcerias conhecidas :

- na primeira e respondendo ao apelo de David Lynch, a artista apareceu com a sua banda no "The Bang Bang Bar" no final do sexto episódio da nova temporada de "Twin Peaks" para interpretar a magnífica e, já agora, lynchiana canção "Tarifa" do disco "Are We There" de 2014. Entre outros, as Au Revoir Simone e os Chromatics também já compareceram no mesmo local:



- um outro diz respeito ao regresso de Lee Ranaldo com um trabalho de inéditos chamado "Electric Trim" gravado com a sua banda The Dust mas onde Etten ajuda nas vozes em seis das canções. É o caso de "New Thing", tema inspirado na obsessão colectiva de acumular "likes" na Internet e que tem agora um video supostamente alusivo ao tema;



- por fim, a inesperada voz de Etten está no regresso de Hercules & Love Affair chamado "Omnion" e que também é o nome de baptismo do álbum a editar no início de Setembro. A banda tem concerto marcado para o Lux Frágil lisboeta a 17 de Novembro próximo. Aqui fica o video dirigido pelos ingleses Crown & Owls.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

UAUU #391

MICAH P. HINSON, FOLK-ÓPERA... MODERNA!

A inspiração para o registo de um novo álbum Micah P. Hinson foi encontrá-la na história de uma família em tempos de guerra com os seus múltiplos defeitos e virtudes, desde o aparecimento do amor, do casamento e filhos até que surgem as traições e o suicídio. Dois anos de trabalho em Denison, Texas, resultaram em "Presents The Holy Strangers" a que Hinson chama uma "ópera folk moderna", um disco que estará cá fora em Setembro pela Full Time Hobby e que na versão em vinil terá a adição de um livro onde se conta toda a aventura. Segue-se uma intensa digressão com banda pela Europa e que só em Espanha têm cinco datas agendadas para o início de Novembro!




sexta-feira, 14 de julho de 2017

THE RADIO DEPT., NOVAS CANÇÕES, NOVA EDITORA!





















Aproveitando o embalo do disco "Running Out Of Love" de 2016, os suecos The Radio Dept. lançam agora um EP onde incluem versões alongadas e misturadas de "Teach Me to Forget", "We Got Game" e "Swedish Guns" mas também dois temas inéditos - "You're Not In Love" e "Just So" que é, ao que parece, também o nome de uma aventura inédita na edição própria de discos, embora este EP saia ainda hoje pela já habitual Labrador Records. Ouça-se!




quarta-feira, 12 de julho de 2017

BADBADNOTGOOD, GOODGOODNOTBAD!

Se andam na expectativa de encontrar uma compilação veraneante pronta a fazer que qualquer hora do dia tenha sempre um pôr-do-sol escusam de procurar mais! A quadragésima terceira edição da já mítica colectânea "Late Night Tales" foi atribuída aos miúdos canadianos BadBadNotGood e os temas escolhidos para a sequência sonora são uma verdadeira inspiração e, ao mesmo tempo, uma dádiva. Começando em Boards Of Canada e terminando em Lydia Lunch, o difícil é mesmo não repetir a audição incluíndo uma versão instrumental dos próprios BadBadNotGood de "To You" do mágico Andy Shauf, artista fetiche da banda. Lembra-se que quer os BadBadNotGod quer Andy Shauf estarão por Paredes de Coura em Agosto para fazer milagres...    





UAUU #390

LONEY DEAR, É DESTA?




















Em Novembro passado congratulamo-nos com o regresso anunciado dos Loney Dear através de um trabalho numerado como o sétimo e que se aproximava da porta de saída... Falso alarme! Apesar de existir até um primeiro avanço, o disco como se eclipsou entre contratempos notórios e uma editora que retirou o artista da sua lista sem aparente explicação. O pobre do Emil Svanängen desabafa agora que andou a "nadar sem ter onde se agarrar" mas que finalmente alcançou uma praia salvadora que dá pelo nome de Real World, casa de discos do âmbito da WOMAD de Peter Gabriel que contratou o sueco num defeso sentimental e, notoriamente, escurecido pela incerteza quanto ao seu potencial artístico. Assim, o tal disco já gravado e adiado verá finalmente a luz do dia em Setembro próximo e terá o título homónimo de Loney Dear. Para que conste! 



sexta-feira, 7 de julho de 2017

LOST HORIZONS, ASSIM SEJA!













Nos últimos vinte anos o nome de Simon Raymonde esteve intimamente ligado à criação e direcção da editora londrina Bella Union mas a fama vem já de mais longe. Nos Cocteau Twins ao lado de Robin Guthrie e Elizabeth Frazer, Raymonde foi baixista proeminente de uma banda mítica e onde fez uma série de amizades para a vida como a que foi crescendo com Richie Thomas dos Dif Juz, baterista que chegou a tocar com os Twins mas também com os Jesus & Mary Chain ou os Felt de boa memória. Os dois juntam-se agora sob o nome de Lost Horizons para um álbum a sair pela própria Bella Union no início de Novembro e onde reúnem uma série de amigos, muitos deles dessa época inconfundível que foram os anos oitenta mas também novos talentos reconhecidos como Marissa Nadler, Sharon Van Etten, Tim Smith (Midlake) ou Cameron Neal (Horse Thief). O primeiro avanço de "Ojalá", assim se intitula o disco, tem a inconfundível voz de Karen Peris dos The Innocence Mission, uma inédita colaboração fora do perímetro da banda e que nos deixa melancolicamente desarmados...

quinta-feira, 6 de julho de 2017

LAMBCHOP UNLIMITED!

Aquando do magnífico concerto dos Lambchop em Espinho em Janeiro passado, fizemos notar a versão, melhor, as versões de "The Hustle" com que a banda começou e terminou o serão, uma canção logo ali tornada um clássico pop. A variante em bruto e onde o piano ganha um protagonismo saboroso foi, entretanto, gravada em demo para um maxi que trouxemos do concerto mas que agora terá edição oficial sob o título de "The Hustle Unlimited" aludindo, certamente, aos The Love Unlimited Orchestra de Barry White tão ao gosto do pianista e humorista Tony Crow, o responsável pela brincadeira inicial. No lado B repousará uma versão de "When You Were Mine" de Prince o que torna a rodela ainda mais apetecível!



terça-feira, 4 de julho de 2017

UAUU #389

JAMES YUILL, É TEMPO DE MUDANÇA!

Não tem sido fácil a vida do britânico James Yuill. Depois de uma ascensão merecida à custa desse grande disco intitulado "Turning Down Water From Air" de 2007, só seis anos depois o one man band conseguiu editar a sequência obrigatória com "These Spirits", experiência obtida em regime pledge music mas que passou completamente despercebida. Insistindo no seu valor e potencial, Yuill foi-se entretendo com o projecto de remisturas Loframes mas o fito continuava a ser o mesmo - reunir condições para novo trabalho em nome próprio. De volta à sua editora Happy Biscuit Club e após quatro anos de intenso trabalho, chegou a hora de um terceiro álbum apropriadamente chamado "A Change In State" que estará cá fora no final do mês e que terá, para além dos formatos obrigatórios, uma edição inédita em vinil. Há ainda uma série de concertos agendados para Setembro pelo Reino Unido, tudo sinais que a mudança é mesmo para levar a sério!



segunda-feira, 3 de julho de 2017

FESTIVAIS DE VERÃO, MAS O QUE É ISTO?
















Afinal ainda há por aí muitos diáconos tipo José Cortes... hum, hum, não havia nexecidade! Para ler e deitar fora.

(RE)VISTO #67













SGT. PEPPER'S: A REVOLUÇÃO MUSICAL
Dir. de Francis Hardly, Apple Corps. Ltd, RTP1, Portugal, 30 de Junho de 2017
A ideia de um documentário comemorativo dos cinquenta anos de "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" dos The Beatles destinado a televisão generalista sugere, à primeira vista, uma insistência nos clichés e imagens que nos fomos habituando a ver ou ler em tantos outros programas e revistas da especialidade. Mas o que compositor inglês Howard Godoall se deu ao trabalho de escrever é um guião diferente e bastante inovador sobre um álbum que parece infindável de pormenores, histórias e inspirações e, por isso, a revolução musical que dá título ao documento é mesmo um desafio que se acaba por provar com bastante pertinência e sem muitos truques. Peça a peça, instrumento a instrumento, canção a canção, ficamos absortos com a sequência escorreita dos factos e informações que, de forma simples e inédita (os instrumentos tocados em separado ou as conversas de estúdio são aqui utilizados na perfeição), nos agarram desde as duas peças extra iniciais ("Strawberry Fields Forever" e "Penny Lane") até esse pedaço em miniatura chamado "A Day In The Life" que, como referido, é o espelho contido de todo um disco ainda e sempre notável. Não percam a oportunidade e andem lá para trás até sexta-feira na vossa caixa de televisão ou então sigam a ligação já disponível online. Não se vão arrepender.      

sexta-feira, 30 de junho de 2017

1 LIVRO E 111 DISCOS!
















Para comemorar os oitenta anos da rádio pública em Portugal, a Antena3 convidou uma série de radialistas, críticos, jornalistas, músicos ou investigadores a escolher e a justificar os discos marcantes desse período, contando, desta forma, uma história da música gravada e da rádio em paralelo. O volume de capa cartonada e design atraente chama-se "Cento e Onze Discos Portugueses. A Música na Rádio Pública" tem coordenação de Henrique Amaro e Jorge Guerra e Paz e conta com textos de, entre muitos outros, Ana Cristina Ferrão, Luís Filipe Barros, Álvaro Costa ou o inevitável Júlio Isidro numa edição da Afrontamento. Um projecto arriscado, mas de leitura obrigatória.      

WILL JOHNSON, UMA GRANDE CANÇÃO!

O mais que polivalente e talentoso Will Johnson lançou este ano mais um álbum a solo chamado "Hatteras Night, A Good Luck Charm", uma amostra do que pode e deve ser a música americana em diversas facetas. Mas por muitas voltas que o disco dê acabamos sempre a abrir a concha de uma pérola que anda lá pelo meio - "Filled With A Falcon's Dreams" tem tanto de sedução como de veludo, uma viciante canção que nos sugere os America e o Jonathan Wilson de mão dada a assobiar de contentes...

segunda-feira, 26 de junho de 2017

DUETOS IMPROVÁVEIS #201

ELTON JOHN & JACK WHITE
Two Fingers of Whiskey (John/Taupin)
Documentário "American Epic Sessions", 2017

sexta-feira, 23 de junho de 2017

UAUU #388

SARAH BELKNER + JFDR, Festival Gaia Todo Um Mundo, 17 de Junho de 2017

A tarde de calor até que convidava a um concerto informal ao ar livre, mas não tanto! O facto de o palco Bernardino estar instalado numa artéria inclinada com trânsito de autocarros, aceleras frenéticos entre turistas ocasionais e moradores indiferentes, condicionou em muito o valor das canções de Sarah Belkner. Elevada no seu altar cimeiro demasiado distante de quem a queria ouvir como deve ser, a jovem australiana ultrapassou, em parte, os constrangimentos sempre com um sorriso nos lábios tentando aproximar vontades e sensações mas o momento pareceu-nos, mesmo assim, um erro de programação certamente arrojado mas inconsequente. A rever, esperemos, numa próxima edição.    

   


O regresso de Jófríður Ákadóttir aka JFDR, que esteve recentemente em Espinho, teve, este sim, um cenário a condizer. A capela do Convento Corpus Christi, impecável no seu restauro e luminosidade, oferecia todas as condições para que os temas de Jófridur ganhassem altitude e leveza, mesmo que nalguns casos tenha sido perceptível na sua postura alguma amargura... Talvez a "separação" da irmã e do projecto Pascal Pinon explique parte da angústia que emana das canções extremamente pessoais e íntimas, como fez questão de confessar na introdução a cada uma delas, mas a sua música teve sempre o condão derradeiro de inverter essa melancolia num optimismo saboroso e sonhador.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

GARETH DICKSON, Armazém 22, Festival Gaia Todo Um Mundo, 16 de Junho de 2017

A presença de Gareth Dickson ao lado de Vashti Bunyan num memorável serão de 2015 deixou-nos muita água na boca. Desde aí, suspirávamos por uma oportunidade certeira de o ouvir num espaço aconchegante e de acústica perfeita, condições que finalmente e de forma surpreendente - e gratuita! - aconteceram em Gaia na passada sexta-feira. O Armazém 22 talvez merecesse mais gente mas o brilho da prestação de Dickson e a delicadeza da sua música encheram as medidas de todos aqueles que corajosamente aí acorreram mesmo que o horário não fosse o mais apelativo. Contudo, não há nem pode haver horas boas nem más para desfrutar de tamanha preciosidade sonora e o momento por si só confirmou que Gareth Dickson talvez seja hoje imbatível na aproximação ou recriação de um género musical sem idade nem prazo que aprendemos a amar de olhos fechados e mente sempre aberta. Inigualável!              

terça-feira, 20 de junho de 2017

3X20 JUNHO













Com atraso...

PRIMAVERA SOUND PORTO 2017: UM BALANÇO
















10 likes:

1. mais e melhores casa de banho a que se junta uma limpeza exemplar do recinto;

2. não sabíamos, mas o canal Arte transmitiu alguns dos concertos na íntegra! É por aqui

3. dez minutos Weyes Blood que valeram ouro. Chapeau!

4. a noite de aquecimento no feminino do Hard Club. Despretensiosa mas eficaz numa fórmula a repetir; 

5. em relação a edições anteriores, melhor o som da maioria dos concertos e, finalmente, em todos os palcos;

6. Shongoy Blues, sinónimo de festa e harmonia sem truques;

7. Arab Strap, uma "substituição" de luxo que muitos ignoraram, inclusive a imprensa presente que se diz atenta;
         
8. atendendo aos tempos de hoje, nada de incidentes, segurança discreta, polícia presente e visível;

9. a eficácia dos Metronomy e a grandeza de Justin Vernon/Bon Iver;

10. o parque, a praia, o rio, a cidade... o Porto, sempre imbatível!


10 dislikes

1. "a que horas é?" foi a pergunta que mais se ouviu já que este ano não houve horários distribuídos para pôr ao pescoço mas sim sim uma "app" para descarregar e é para quem quer. Ou seja, quem não tiver smartphone que se amanhe e leve os horários impressos de casa, mas gastou-se o dinheiro distribuindo um cartão para colocar ao pescoço com sei lá bem o quê, ah, era tal "app". Podiam ter lá posto os horários na mesma já que não os vimos afixados em nenhum lado como é (era?) obrigatório;

2. a dimensão do palco para Angel Olsen talvez fosse exagerado mas a tagaralice e indiferença de muitos prejudicou as canções que se queriam ouvidas a sério. Insultuoso;

3. apesar do respeito que temos por Rodrigo Leão e do projecto com Scott Matthew, a presença em final de tarde num dos palcos principais foi confrangedora. Tudo saiu ao lado, então a voz do tal Matthew... xii;

4. já não é primeira vez que acontece - primeiro dia já em pleno (19h00) mas não há pulseiras nem identificação no parque das bikes, casas de banho sem água, bares sem cerveja, etc. Inexplicável;

5. gostamos de coleccionar o programa/livro do festival onde são apresentadas as bandas/artistas, estamos até na disposição em adquiri-lo, mas aonde? Disseram-nos que vinham no interior da famosa mochila distribuída aleatoriamente mas na que "arrebanhamos"... nada. Há por aí alguém que lhe tenha posto a vista em cima?        

6. com todo o carinho por Elza Soares mas faltou "um peso-pesado" à altura da tradição (Patti Smith, Brian Wilson, Caetano, etc.). Pensar que já tivemos, por exemplo, Blur e Daniel Johnston no mesmo dia (2013)!

7. sem bairrismos bacocos mas "o gosto mais de Lisboa que do Porto" de Julien Ehrlich/Whitney em pleno concerto já não foi feliz mas as tentativas seguintes em tentar disfarçar o deslize ainda soaram piores;

8. o petisco portuense estava na ementa gourmet do festival? Francesinha, uma raridade e, já agora, cerveja preta;

9. com tanto WC disponível ainda há muitos e muitas que "descarregam" nos arbustos, árvores e afins. Enfim...;

10. o que é feito do Miguel Ângelo/Delfins um habitué que teve falta a vermelho. Sinal da fraqueza do cartaz?